Sarampo em alerta: Ministério da Saúde amplia vacinação em três cidades de SP após surto com 11 casos
A estratégia, válida entre 3 de agosto e 1º de setembro, inclui a aplicação da chamada “dose zero” para crianças de 6 a 11 meses, em um cenário de intenso fluxo internacional de viajantes. A cobertura da segunda dose da tríplice viral no país é de apenas 78,3%

O Ministério da Saúde recomendou, nesta terça-feira (28), a ampliação da oferta da vacina contra o sarampo para pessoas de 6 meses a 59 anos nos municípios de Guarulhos, São Bernardo do Campo e São Paulo. A medida, que integra a Campanha de Multivacinação prevista para ocorrer entre 3 de agosto e 1º de setembro, foi adotada após a identificação de uma cadeia de transmissão ativa da doença nessas localidades.
Atualmente, o surto ativo contabiliza 11 casos da doença, sendo dois em São Bernardo do Campo e nove na capital paulista. As investigações epidemiológicas seguem em andamento e, até o momento, os casos permanecem classificados como de fonte de infecção desconhecida. Segundo a pasta, o surto foi identificado em uma região de intensa mobilidade populacional, com elevado fluxo internacional de viajantes, cenário que favorece a introdução esporádica do vírus.
💉 Quem deve se vacinar e por que a ampliação
A vacina contra o sarampo é oferecida gratuitamente pelo SUS e, em situações de circulação do vírus, o Ministério da Saúde recomenda a aplicação da chamada “dose zero” em crianças de 6 a 11 meses, grupo mais vulnerável à infecção e ao desenvolvimento de formas graves da doença.
Em situações normais, o calendário vacinal prevê a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. A ampliação para a faixa etária de 6 meses a 59 anos visa justamente bloquear a transmissão em áreas com casos confirmados e proteger os não vacinados ou com esquema incompleto.
Ao todo, o Brasil confirmou 14 casos de sarampo em 2026. Três registros identificados no início do ano já foram encerrados, sem risco de transmissão.
📊 Os números da cobertura vacinal no Brasil
Apesar dos esforços, a cobertura vacinal nacional ainda está aquém do ideal. Em 2025, o país alcançou 92,9% para a primeira dose (D1) da vacina tríplice viral, mas apenas 78,3% para a segunda dose (D2). A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é de 95% para ambas as doses.
Somente em 2026, o Ministério da Saúde distribuiu mais de 7,2 milhões de doses da vacina tríplice viral a estados e municípios. Desse total, cerca de 2,9 milhões de doses já foram aplicadas em todo o país. A ampliação em Guarulhos, São Bernardo e São Paulo visa justamente elevar esses números e conter o avanço do vírus.
🦠 O cenário internacional e o risco de importação
O sarampo é a doença viral mais contagiosa conhecida. Uma única pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 18 pessoas não vacinadas. O cenário de intenso fluxo internacional de viajantes, especialmente na região metropolitana de São Paulo, onde estão localizados o principal aeroporto do país e corredores de mobilidade, cria um ambiente propício para a introdução do vírus.
O Ministério da Saúde reforçou que manter a caderneta de vacinação atualizada é a principal forma de prevenir o sarampo e evitar a reintrodução da doença no país.
🔍 A ampliação da vacinação contra sarampo em SP
| Aspecto | Informação |
|---|---|
| Cidades afetadas | Guarulhos, São Bernardo do Campo e São Paulo |
| Período da campanha | 3 de agosto a 1º de setembro de 2026 |
| Público-alvo | Pessoas de 6 meses a 59 anos (ampliação) |
| Casos confirmados no surto | 11 (9 em SP, 2 em São Bernardo) |
| Casos de sarampo no Brasil em 2026 | 14 (3 encerrados) |
| Cobertura D1 (2025) | 92,9% |
| Cobertura D2 (2025) | 78,3% |
| Doses distribuídas em 2026 | Mais de 7,2 milhões |
| Doses aplicadas em 2026 | Cerca de 2,9 milhões |