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domingo, 1 de novembro de 2026
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Urologia aos 12, próstata aos 45: o roteiro que todo homem deveria seguir para envelhecer com saúde

Urologia aos 12, próstata aos 45: o roteiro que todo homem deveria seguir para envelhecer com saúde

No Dia do Homem, especialistas afirmam que a resistência masculina em buscar atendimento médico está ligada a fatores culturais, e não à falta de informação; saber quais profissionais procurar em cada fase da vida é o primeiro passo para prevenir doenças silenciosas e reduzir complicações

A saúde masculina ainda é um campo minado por tabus. Muitos homens só procuram um médico quando a dor já é insuportável ou o problema já está avançado. Celebrado nesta quarta-feira (15), o Dia do Homem serve justamente para virar essa chave: não se trata apenas de tratar doenças, mas de preveni-las antes que elas apareçam.

Especialistas ouvidos pela reportagem são categóricos: saber quais médicos procurar em cada fase da vida é um dos caminhos mais eficazes para identificar doenças precocemente e reduzir o risco de complicações. E o acompanhamento, segundo eles, deve começar muito antes do que a maioria imagina.


😷 O peso da cultura: por que o homem demora para ir ao médico

A resistência masculina em buscar atendimento médico não é falta de informação — é cultural. A psicóloga Priscila Maria Gabos, do Hospital Samaritano Higienópolis, explica que muitos homens foram educados para acreditar que precisam suportar a dor e resolver os problemas sozinhos.

“Os modelos tradicionais de masculinidade podem criar uma falsa associação entre vulnerabilidade e fraqueza” , afirma.

O resultado é um atraso que pode custar caro: sintomas físicos e emocionais são minimizados, diagnósticos são postergados e as chances de prevenção se reduzem. Para a psicóloga, reconhecer limites, expressar emoções e procurar apoio são habilidades ligadas ao autocuidado e à maturidade emocional.

“Quanto mais naturalizarmos a busca por ajuda e os cuidados preventivos, maior tende a ser a adesão dos homens e melhores serão as chances de uma vida mais longa e saudável” , diz.


👶 Infância: o pediatra como porta de entrada

O cuidado com a saúde masculina começa muito cedo. Na infância, o pediatra é o profissional de referência. Além de monitorar crescimento e desenvolvimento, essa fase exige atenção a aspectos como:

  • Higiene e saúde bucal
  • Desenvolvimento motor e emocional
  • Maturação sexual e vacinação

Algumas condições, como fimose e problemas relacionados aos testículos, exigem intervenção precoce. O médico de família também começa a exercer um papel importante desde a infância.


🧑‍🎓 Adolescência: a chegada do urologista

É na adolescência que muitos homens têm seu primeiro contato com o urologista — e, segundo especialistas, isso deve acontecer entre 12 e 18 anos.

“Nessa fase, o urologista pode orientar sobre ISTs, higiene, sexualidade e autocuidado, além de avaliar o desenvolvimento puberal” , afirma o urologista Ricardo Ferro, coordenador da Urologia do Hospital Brasília.

A visita nessa idade não é apenas para tratar problemas, mas para educar e prevenir.


🧑‍💻 Dos 20 aos 39 anos: o médico de família como central

Na vida adulta jovem, o médico de família segue como o principal referencial para os cuidados preventivos. Ele monitora vacinação, risco de obesidade, hipertensão, diabetes e ISTs.

“Nessa fase, um dos principais cuidados é manter a vacinação em dia. Na infância, esse acompanhamento costuma ser feito pelos pais, mas, na adolescência e na vida adulta, muitas pessoas deixam de conferir se o esquema vacinal continua atualizado” , alerta a médica de família Rosana Castello Branco.

O urologista também ganha mais importância nesse período, especialmente para o diagnóstico de varicocele — principal causa de infertilidade masculina — e de câncer de testículo, cuja incidência é maior entre homens jovens.


🧔 Dos 40 aos 60 anos: o cerco às doenças silenciosas

A partir dos 40 anos, o foco se amplia. Aumentam os cuidados com doenças cardiovasculares, diabetes, alterações do colesterol e alguns tipos de câncer. O acompanhamento segue individualizado, com possível encaminhamento para cardiologistas e endocrinologistas, conforme o histórico e os fatores de risco de cada paciente.

É também a partir dos 45 anos que se inicia a discussão sobre a avaliação para o câncer de próstata. A doença é silenciosa e não apresenta sintomas na fase inicial.

“Por isso a importância de uma vigilância constante desde essa fase” , reforça Ferro.

O momento certo para começar:

  • Homens sem fatores de risco: a conversa deve começar por volta dos 50 anos.
  • Homens com histórico familiar (pai ou irmãos com câncer de próstata), homens negros ou obesos — que apresentam maior risco de desenvolver formas mais agressivas da doença —: a partir dos 45 anos.

“A avaliação combina o exame de toque retal, que analisa a consistência e o formato da próstata, e o exame de sangue PSA. Os dois são complementares. Um não substitui o outro” , afirma Ferro.


👴 A partir dos 60 anos: manter a autonomia e prevenir quedas

Depois dos 60 anos, o médico de família continua coordenando o acompanhamento, mas a atenção se volta para:

  • Prevenção de quedas
  • Preservação da autonomia
  • Saúde cognitiva, auditiva e visual
  • Revisão de medicamentos e estado nutricional

“A perda de massa muscular pode comprometer a funcionalidade” , alerta Branco.

Quando necessário, o paciente é encaminhado a especialistas de acordo com suas necessidades.


🧭 O roteiro que todo homem deveria seguir

Fase da vidaMédico(s) de referênciaPrincipais cuidados
InfânciaPediatra / Médico de famíliaCrescimento, desenvolvimento, vacinação, fimose, problemas testiculares
Adolescência (12 a 18 anos)UrologistaISTs, sexualidade, higiene, desenvolvimento puberal
20 a 39 anosMédico de família / UrologistaVacinação, obesidade, hipertensão, diabetes, varicocele, câncer de testículo
40 a 45 anosMédico de família + especialistas (cardiologista, endocrinologista)Doenças cardiovasculares, diabetes, colesterol
45 a 50 anosUrologistaAvaliação para câncer de próstata (toque + PSA)
60 anos ou maisMédico de família + especialistas conforme necessidadePrevenção de quedas, saúde cognitiva, revisão de medicamentos, massa muscular

💬 O veredito: saúde é um ciclo que começa cedo

A mensagem final dos especialistas é clara: a saúde masculina não pode ser tratada como um assunto de emergência. Ela exige acompanhamento contínuo, prevenção e uma mudança cultural que desassocie o autocuidado da fraqueza.

“Saúde não é apenas a ausência de doença, mas envolve bem-estar físico, emocional e social” , resume a psicóloga Priscila Gabos.

O roteiro está traçado. O primeiro passo, porém, ainda é o mais difícil: reconhecer que cuidar de si mesmo não é um sinal de fragilidade — é um ato de coragem.