Ela pode destruir o fígado sem provocar dor: campanha alerta para a hepatite, a doença silenciosa que avança no Brasil
No mês do Julho Amarelo, especialistas reforçam que as hepatites virais podem ficar décadas sem sintomas enquanto lesionam o órgão; diagnóstico precoce e vacinação são as principais armas contra uma doença que mata silenciosamente

O fígado é um órgão resiliente. Ele pode perder até 70% de sua função antes que os primeiros sintomas apareçam. E é exatamente essa característica que torna as hepatites virais tão perigosas: elas podem destruir o fígado lentamente, por anos ou até décadas, sem provocar dor ou qualquer sinal de alerta. A campanha do Julho Amarelo, mês de conscientização sobre as hepatites virais, vem justamente para quebrar esse silêncio e alertar a população sobre os riscos de uma doença que, embora silenciosa, é prevenível, tratável e, em muitos casos, curável.
🩸 O que são as hepatites virais e por que elas são tão perigosas
As hepatites virais são infecções que atingem o fígado, causando inflamação e, com o tempo, lesões irreversíveis. Os tipos mais comuns no Brasil são A, B e C.
- Hepatite A: transmitida por via fecal-oral, geralmente associada a más condições de saneamento e higiene. Tem cura e não costuma se tornar crônica.
- Hepatite B e C: transmitidas por contato com sangue contaminado, relações sexuais desprotegidas e de mãe para filho durante o parto. São as mais perigosas, pois podem evoluir para cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.
“Classificada como doença crônica, a hepatite C é uma doença silenciosa que pode ficar no organismo até 20 anos sem se manifestar” .
A hepatite C, em particular, é uma das principais causas de transplante hepático no mundo. Estima-se que 70% a 80% dos infectados desenvolvam a forma crônica da doença, e muitos só descobrem o diagnóstico quando o fígado já está severamente comprometido.
📊 A situação no Brasil: números que preocupam
O Brasil registra milhares de novos casos de hepatites virais todos os anos. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2018 e 2023, foram notificados mais de 400 mil casos de hepatites B e C no país. A região Norte e o Distrito Federal apresentam as maiores taxas de incidência, mas a doença está presente em todo o território nacional.
O que mais preocupa os especialistas é a subnotificação: muitos casos não são diagnosticados porque a infecção não provoca sintomas iniciais. A fadiga, o mal-estar e a perda de apetite, quando aparecem, são facilmente confundidos com cansaço ou estresse do dia a dia.
💉 A prevenção e o tratamento: armas contra o silêncio
A boa notícia é que o Brasil tem um dos programas de vacinação mais abrangentes do mundo. A vacina contra a hepatite B está disponível no SUS para todas as faixas etárias, e a hepatite A é oferecida para crianças de 15 meses a 5 anos de idade.
Para a hepatite C, embora não haja vacina, o tratamento é altamente eficaz. Os antivirais de ação direta (DAA) têm taxa de cura superior a 95% e estão disponíveis gratuitamente no SUS, com um regime de tratamento que dura de 8 a 12 semanas e tem poucos efeitos colaterais.
“A doença pode ficar no organismo até 20 anos sem se manifestar” .
O diagnóstico precoce é fundamental. O teste rápido para hepatites B e C está disponível em unidades de saúde e pode ser feito de forma rápida e sigilosa. A recomendação é que toda pessoa com mais de 40 anos faça o teste pelo menos uma vez na vida, além de gestantes e grupos de risco, como profissionais de saúde e pessoas com comportamentos de risco.
📢 Julho Amarelo: o mês da conscientização
A campanha Julho Amarelo, instituída pela Lei nº 13.802/2019, tem como objetivo reforçar a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento das hepatites virais. Durante todo o mês, ações de conscientização são realizadas em todo o país, com testagem rápida, orientação sobre vacinação e distribuição de preservativos.
O lema da campanha em 2026 reforça a urgência de falar sobre o que não se vê: a hepatite não dói, não arde, não coça. Ela age em silêncio. Mas o diagnóstico é simples, o tratamento é acessível e a cura é possível.
🔍 O que você precisa saber sobre as hepatites virais
| Aspecto | Informação |
|---|---|
| Doenças | Hepatites A, B e C (inflamação do fígado) |
| Transmissão | A: fecal-oral; B e C: contato com sangue, relações sexuais e transmissão vertical |
| Sintomas | Podem ficar décadas sem aparecer; fadiga, mal-estar e perda de apetite são os mais comuns |
| Consequências | Cirrose, insuficiência hepática, câncer de fígado e morte |
| Prevenção | Vacinas (A e B), uso de preservativos, não compartilhar seringas |
| Diagnóstico | Testes rápidos disponíveis no SUS |
| Tratamento | Hepatite C: antivirais com taxa de cura > 95% (gratuitos no SUS) |
| Campanha | Julho Amarelo — mês de conscientização sobre as hepatites virais |