Posso me vacinar com gripe? Tire as principais dúvidas sobre a imunização contra a influenza em meio à alta de casos
Com a circulação antecipada do vírus e a chegada do frio, especialistas respondem se é seguro tomar a vacina estando doente, por que ela é anual e o que os imunossuprimidos precisam saber

A primeira onda de frio de 2026, que chegou ao Brasil nesta semana e deve derrubar as temperaturas até a próxima quarta-feira (13), acendeu um sinal de alerta para a vacinação contra a gripe. A temporada de vírus respiratórios deste ano chegou mais cedo e com mais força: o país já registra um aumento expressivo de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 26 estados, segundo o Ministério da Saúde, e a circulação de uma nova variante do H3N2 — o subclado K — foi identificada no Brasil pela primeira vez em dezembro de 2025.
Com a proximidade do inverno, as dúvidas da população sobre a vacinação voltaram a circular com força. A reportagem do Terra reuniu os questionamentos mais frequentes e as respostas de especialistas em imunização, com base em orientações do Ministério da Saúde, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Posso tomar a vacina se já estou com gripe?
Depende da intensidade dos sintomas. A recomendação, segundo o Ministério da Saúde e a SBIm, é clara:
- Casos leves (coriza, mal-estar discreto): não impedem a vacinação.
- Quadros com febre ou sintomas intensos: a orientação é adiar a vacinação até que ocorra a melhora clínica.
O adiamento não é uma contraindicação absoluta, mas uma precaução para não sobrecarregar o sistema imunológico e para que os sintomas da doença não sejam confundidos com possíveis reações adversas da vacina. A única contraindicação formal para a vacina da gripe, conforme a SBIm, é a história de reações alérgicas graves (anafilaxia) confirmadas a uma dose anterior da vacina ou a algum de seus componentes.
A vacina da gripe pode causar gripe?
Não. Esse mito persiste, mas não tem respaldo científico. A vacina contra a influenza é produzida com o vírus inativado (morto) , o que significa que é impossível que o imunizante cause a doença.
O que pode ocorrer, em uma minoria dos casos, são reações comuns às vacinas inativadas, como:
- Dor, vermelhidão ou endurecimento no local da aplicação (ocorre em 15% a 20% dos vacinados).
- Febre baixa passageira, cansaço ou dor muscular nas primeiras 24 a 48 horas.
Isso não é gripe, e sim uma resposta normal do sistema imunológico à vacina.
Quem tomou a vacina no ano passado precisa tomar de novo este ano?
Sim. A vacina é anual e precisa ser repetida a cada ano por dois motivos principais:
- Mutações do vírus: O vírus influenza sofre alterações genéticas frequentes. Todos os anos, a OMS analisa as cepas que mais circularam no mundo e atualiza a composição da vacina para o próximo inverno.
- Imunidade temporária: Os anticorpos gerados pela vacina diminuem com o tempo, tornando a pessoa suscetível novamente cerca de um ano após a dose.
Mesmo que a composição da vacina não mude totalmente de um ano para o outro, a imunidade precisa ser reativada.
A vacina protege contra todas as variantes da gripe?
As vacinas são formuladas para combater as cepas com maior probabilidade de circulação no período. Para 2026, a campanha nacional utiliza um imunizante trivalente, que protege contra três cepas: H1N1, H3N2 e uma linhagem do vírus Influenza B.
A identificação no Brasil do subclado K do H3N2, uma variante que apresentava maior distanciamento genético da cepa vacinal, gerou preocupação. No entanto, mesmo quando há diferenças entre a cepa da vacina e a variante que está circulando, o imunizante mantém eficácia para prevenir casos graves, hospitalizações e mortes. Um monitoramento europeu aponta efetividade entre 30% e 60% para infecções leves, mas a proteção contra desfechos graves é considerada superior.
Pessoas imunossuprimidas podem se vacinar contra a gripe?
Sim. Em geral, a vacinação é recomendada e considerada segura para pessoas com alguma condição que comprometa o sistema imunológico. Como esse grupo tem maior risco de complicações e formas graves da gripe, a proteção vacinal é ainda mais importante.
No entanto, o ideal é que haja orientação médica individualizada para definir o melhor momento da imunização. Em alguns casos, pode ser necessária a aplicação de uma segunda dose no mesmo ano para pacientes gravemente imunossuprimidos, conforme o critério do médico assistente. As contraindicações para esse grupo são as mesmas da população geral: alergia grave a uma dose anterior ou aos componentes da vacina.
Além da vacina, o que ajuda a prevenir a gripe?
A vacina é a principal ferramenta de prevenção, mas deve vir acompanhada de outras medidas, especialmente nesta época de maior circulação viral:
- Higienizar as mãos com frequência, usando água e sabão ou álcool em gel.
- Manter os ambientes ventilados, com circulação de ar.
- Evitar contato próximo com pessoas que apresentem sintomas respiratórios.
- Ao tossir ou espirrar, cobrir nariz e boca com o antebraço ou lenço descartável.
A campanha de vacinação contra a gripe segue até 30 de maio. A meta do Ministério da Saúde é vacinar 90% dos grupos prioritários, mas, em 2025, a cobertura ficou em torno de 54% do público-alvo. Como alertam as autoridades, a vacina é segura, eficaz e a melhor aliada para enfrentar uma temporada de inverno que promete ser desafiadora.
🔍 Resumo das principais dúvidas sobre a vacina da gripe
| Pergunta | Resposta resumida |
|---|---|
| Posso me vacinar com gripe? | Sim, se sintomas leves. Com febre ou quadro intenso, adiar até melhora. |
| A vacina pode causar gripe? | Não. O vírus é inativado, incapaz de causar a doença. |
| Preciso me vacinar todo ano? | Sim. O vírus sofre mutações frequentes e a imunidade diminui com o tempo. |
| A vacina protege contra a nova variante H3N2 (subclado K)? | Sim, parcialmente. A eficácia contra casos leves pode ser reduzida, mas a proteção contra formas graves é mantida. |
| Imunossuprimidos podem se vacinar? | Sim, com orientação médica. O grupo tem maior risco de complicações da gripe. |
| Até quando posso me vacinar? | A campanha nacional vai até 30 de maio de 2026. |




