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Ovo, queijo, óleo de coco: o que a ciência realmente diz sobre as gorduras que você come

Na semana dedicada ao tema no projeto Vida Boa, leitores enviaram perguntas sobre os vilões e mocinhos da alimentação; especialista Marcio Atalla explica por que o ovo não é o grande responsável pelo colesterol, quais gorduras devem ser priorizadas e por que o padrão alimentar como um todo importa mais do que a escolha de um ingrediente isolado

O debate sobre gorduras na alimentação é um dos mais antigos e controversos da nutrição. De um lado, décadas de demonização de alimentos como o ovo e a manteiga; de outro, movimentos que exaltam o óleo de coco e a banha como opções “naturais” e superiores. No meio, o consumidor fica perdido entre informações conflitantes e promessas milagrosas.

Na semana dedicada ao tema no projeto Vida Boa, do GLOBO, leitores enviaram perguntas sobre óleos, ovos e até mesmo como incluir gorduras na alimentação infantil. O especialista em nutrição esportiva Marcio Atalla respondeu às principais dúvidas — e as respostas trazem um alívio para quem gosta de um ovo frito ou um queijo derretido, mas também um alerta sobre o que realmente eleva o colesterol.


🥚 Ovo aumenta o colesterol? A resposta que tranquiliza

A pergunta que não quer calar: ovo aumenta o colesterol? Para a maioria das pessoas, a resposta é não — ou, pelo menos, o impacto é muito menor do que se imagina.

Atalla explica que o que realmente eleva o LDL (o chamado “colesterol ruim”) costuma ser o excesso de gorduras saturadas e trans da alimentação. O ovo, por sua vez, é uma excelente fonte de proteína, vitaminas e colina — um nutriente essencial para o cérebro.

“Em pessoas saudáveis, o consumo moderado pode fazer parte de uma alimentação equilibrada” , afirma o especialista.

A recomendação é clara: o ovo não é o vilão que pintaram por décadas. O problema não está na gema, mas no que se coloca ao lado dela — bacon, manteiga, queijos gordurosos — e no padrão alimentar como um todo.


🫒 Quais gorduras devem fazer parte da dieta? A regra dos 60% a 70%

Nem toda gordura é igual, e a ciência já estabeleceu quais devem ser priorizadas. Atalla recomenda que as gorduras insaturadas representem de 60% a 70% do total de gorduras consumidas.

Onde encontrá-las:

  • Azeite de oliva
  • Abacate
  • Castanhas, nozes e amêndoas
  • Sementes (linhaça, chia, girassol)
  • Peixes como salmão, sardinha e atum

Essas gorduras ajudam na saúde cardiovascular, no funcionamento do cérebro e na absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K).

Já as gorduras saturadas — presentes em carnes gordas, embutidos, manteiga, queijos mais gordurosos, bacon, pele de frango, óleo de coco e óleo de palma — devem ser limitadas a no máximo 30% a 40% do total de gorduras. Elas podem fazer parte da alimentação, mas o consumo excessivo está associado ao aumento do colesterol LDL e do risco cardiovascular.


🧀 Queijo derretido: a gordura muda? A resposta surpreendente

Quem adora uma pizza ou um prato gratinado já deve ter se perguntado: quando o queijo derrete, o nível de gordura aumenta? A resposta é não.

Atalla esclarece que o que acontece é que parte da gordura se torna mais visível e concentrada na superfície durante o derretimento, mas o teor de gordura do queijo permanece praticamente o mesmo.

A diferença real está no tipo de queijo escolhido. Em geral:

  • Menos gordura: ricota, cottage e minas frescal
  • Mais gordura: parmesão, provolone, gorgonzola, brie e alguns tipos de muçarela

A dica é simples: prefira queijos mais magros no dia a dia e reserve os mais gordurosos para ocasiões especiais.


🥥 Óleo de coco, banha de porco ou azeite: qual escolher?

A guerra dos óleos é uma das mais acirradas nas redes sociais. De um lado, defensores do óleo de coco e da banha de porco, que os consideram “naturais” e superiores aos óleos vegetais refinados. De outro, nutricionistas que alertam para o alto teor de gordura saturada desses produtos.

Atalla organiza as opções de forma prática:

Tipo de gorduraRecomendação
Azeite extravirgemMelhor opção para uso diário
Óleo de canola e sojaBoas opções para cozinhar
Banha de porcoPode ser usada ocasionalmente
Óleo de cocoNão precisa ser demonizado, mas não há evidências de que seja mais saudável que azeite ou canola

“No fim, o padrão alimentar como um todo importa muito mais do que a escolha entre banha, coco ou soja” , resume Atalla.

A mensagem é clara: uma pessoa ativa, que come frutas, verduras, legumes, feijões e proteínas de qualidade, terá muito mais benefícios do que alguém preocupado apenas com qual gordura usa na panela.


👧 E as crianças? Quais gorduras são boas para os pequenos?

Para crianças de 7 a 12 anos, a recomendação segue a mesma lógica: priorizar gorduras naturais e pouco processadas.

Melhores fontes:

  • Abacate
  • Azeite de oliva
  • Castanhas (quando não houver risco de alergia)
  • Pasta de amendoim sem açúcar
  • Sementes
  • Ovos
  • Peixes como sardinha e salmão

Essas gorduras são fundamentais para o desenvolvimento do cérebro, a produção de hormônios, o crescimento e a absorção de vitaminas. A infância é um período crítico para a formação de hábitos alimentares, e incluir fontes saudáveis de gordura desde cedo faz toda a diferença.


🧠 O veredito: o padrão alimentar é o que realmente importa

Se há uma mensagem central nas respostas de Marcio Atalla, é que o vilão raramente é um alimento isolado. O ovo não é o grande responsável pelo colesterol alto; o queijo derretido não se torna mais gorduroso; e a escolha entre óleo de coco e azeite é menos relevante do que o conjunto da dieta.

O que realmente importa é o padrão alimentar como um todo. Uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, feijões, proteínas de qualidade e gorduras insaturadas — combinada com um estilo de vida ativo — é o que de fato protege a saúde cardiovascular e promove bem-estar.

A lição final é simples: em vez de se preocupar com um único ingrediente, olhe para o prato como um todo. E, se possível, inclua um ovo — ele não é o inimigo.


🔍 O que você precisa saber sobre gorduras

PerguntaResposta resumida
Ovo aumenta o colesterol?Para a maioria das pessoas, o impacto é pequeno. O que realmente eleva o LDL é o excesso de gorduras saturadas e trans.
Quais gorduras priorizar?Insaturadas (azeite, abacate, castanhas, peixes) — devem representar 60% a 70% do total de gorduras.
Gorduras saturadas são proibidas?Não, mas devem ser limitadas a no máximo 30%-40% do total de gorduras.
Queijo derretido tem mais gordura?Não. O teor de gordura permanece o mesmo; ela apenas fica mais visível.
Óleo de coco ou azeite?Azeite é a melhor opção. Óleo de coco não é mais saudável, mas não precisa ser demonizado.
O que realmente importa?O padrão alimentar como um todo — não um ingrediente isolado.

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