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É oficial: vacina brasileira da dengue mantém eficácia por até 5 anos e reforça aposta do SUS em dose única

Estudo do Instituto Butantan publicado na “Nature Medicine” mostra proteção de 80% contra casos graves; diretora do instituto afirma que prioridade é abastecer o país, mas exportação para América Latina está nos planos

A ciência brasileira acaba de ganhar um capítulo ainda mais robusto na luta contra a dengue. Um novo estudo de longo prazo do Instituto Butantan, publicado na quarta-feira (4) na revista científica “Nature Medicine” e repercutido nesta sexta (6) pela Agência Brasil, confirma que a vacina nacional Butantan-DV mantém sua eficácia por pelo menos cinco anos após a aplicação da dose única – um marco mundial, já que é o primeiro imunizante contra a doença a não exigir reforço.

Os dados, colhidos ao longo de cinco anos com mais de 16 mil participantes, reforçam o que a comunidade científica já comemorava: a vacina é segura, eficaz e, acima de tudo, cumpre seu papel mais importante. Nenhuma pessoa vacinada apresentou dengue grave ou precisou de hospitalização por complicações da doença durante o período. A eficácia contra formas graves ou com sinais de alarme atingiu 80,5% .

Dose Única: A Chave da Estratégia 💉

Para a diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos, o resultado mais celebrado vai além dos números brutos de eficácia. “Vacinas que precisam de duas ou mais doses enfrentam o desafio da adesão: muitas pessoas não voltam para completar o esquema. Esta demonstração de que uma única dose mantém a proteção alta é muito importante”, explicou.

Isso não significa, porém, que o monitoramento vai parar. “Vamos continuar acompanhando para saber se realmente não será necessário um reforço depois de 10 ou 20 anos”, ponderou.

Crianças, Idosos e os Próximos Passos da Pesquisa 🔬

A eficácia geral do imunizante contra a dengue sintomática foi de 65% , subindo para 77,1% entre pessoas que já haviam tido contato com o vírus antes da vacinação.

A pesquisa também revelou variações por faixa etária. A proteção em crianças (a partir de 2 anos, que também participaram dos testes) mostrou-se mais baixa ao longo dos cinco anos em comparação com adolescentes e adultos. Por isso, a Anvisa registrou inicialmente a vacina apenas para a faixa dos 12 aos 59 anos, até que se determine se os mais jovens precisarão de um reforço.

Fernanda Boulos adiantou que o Butantan já planeja, em conjunto com a agência reguladora, um estudo adicional específico em crianças para embasar a futura inclusão desse público no calendário vacinal.

Paralelamente, o Instituto já iniciou testes com idosos. “O sistema imunológico também envelhece. Precisamos entender se eles têm a mesma capacidade de gerar resposta imune”, justificou a diretora. Os resultados desse novo braço da pesquisa devem sair em 2026.

Por Que Vacinar Idosos é Prioritário? 👴

O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, endossa a urgência de ampliar o público-alvo. “A maior taxa de mortalidade por dengue é verificada entre idosos. Incluí-los na vacinação seria extremamente importante”, afirmou.

Cunha também destacou a solidez dos dados de segurança. “O estudo nos mostra que a vacina se mantém protetora por um prazo bastante longo e é extremamente segura. Isso é fundamental para qualquer medicação.”

Ciência Nacional a Serviço do SUS e do Mundo 🌎

A vacina do Butantan, aprovada pela Anvisa em novembro de 2025, já começou a ser aplicada em profissionais de saúde da atenção primária em diversas partes do país, como parte da estratégia inicial do Ministério da Saúde, que adquiriu 3,9 milhões de doses.

A diretora médica do instituto foi categórica: a prioridade absoluta é abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS) . No entanto, assim que a demanda nacional for suprida, o Butantan, instituição pública vinculada ao estado de São Paulo, negocia a venda de doses para outros países, especialmente da América Latina, que também sofrem com epidemias recorrentes de dengue.

Juarez Cunha celebra o feito como um ativo estratégico para o país. “É fundamental que a pesquisa nacional consiga chegar a produtos de ponta, eficazes e seguros. Isso nos permite abastecer mais facilmente o PNI [Programa Nacional de Imunizações] e nos dá poder de negociação com outras nações.”

A combinação de eficácia duradoura, segurança comprovada e a vantagem logística da dose única colocam o Brasil em uma posição de liderança no combate global à dengue, reafirmando o potencial da ciência feita no país.


Em Resumo: A Vacina Brasileira em Números (Estudo de 5 Anos)

IndicadorResultado
Proteção contra casos graves ou com sinais de alarme80,5%
Eficácia geral contra dengue sintomática65%
Eficácia em quem já teve dengue77,1%
Eficácia em quem nunca teve dengue58,9%
Hospitalizações ou casos graves no grupo vacinadoZero
Público atualmente aprovado pela Anvisa12 a 59 anos
Próximos passos da pesquisaEstudos com crianças e idosos

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