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Estudo inédito da USP comprova segurança de vacina contra herpes-zóster para pacientes com doenças reumáticas autoimunes

Pesquisa publicada no The Lancet Rheumatology acompanhou mais de 1,1 mil pacientes com lúpus, artrite e outras condições; imunizante não agravou doenças pré-existentes e teve eficácia de cerca de 90%

Pacientes com doenças reumáticas autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide, sempre viveram um dilema: ao mesmo tempo que suas condições e os medicamentos imunossupressores que utilizam os tornam mais vulneráveis a infecções, o receio de que uma vacina pudesse desencadear uma piora da doença sempre pairou sobre as decisões médicas.

Agora, um estudo de grande porte conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) , publicado no periódico The Lancet Rheumatology, traz uma resposta definitiva e tranquilizadora. A pesquisa comprovou que a vacina contra o herpes-zóster é segura e eficaz para essa população.

Metodologia Robusta e Resultados Claros 📊

O estudo, liderado pela reumatologista Eloisa Bonfá, titular do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP, acompanhou 1.192 pacientes com nove diagnósticos diferentes de doenças reumáticas autoimunes. O grupo incluía pessoas com a doença em atividade e também aquelas em uso de medicamentos imunossupressores – exatamente o perfil de maior risco.

Os participantes foram divididos entre os que receberam a vacina e um grupo que tomou placebo. Os resultados foram animadores em todos os aspectos analisados:

  1. Segurança: A vacina não agravou as doenças pré-existentes. A taxa de piora do quadro clínico entre os vacinados foi de 14% , um número estatisticamente equivalente aos 15% observados no grupo placebo. Ou seja, as variações da doença ocorreram na mesma proporção, independentemente da vacina.
  2. Eficácia: Cerca de 90% dos participantes vacinados desenvolveram uma quantidade adequada de anticorpos contra o vírus varicela-zóster, causador do herpes-zóster, após as duas doses do imunizante.
  3. Tolerabilidade: Surpreendentemente, os pacientes com doenças reumáticas relataram menos reações adversas comuns (como febre e dor no local da aplicação) do que a população saudável geralmente apresenta.

“Demonstramos que a vacina pode ser administrada com segurança em uma população altamente vulnerável, inclusive em pacientes jovens” , afirmou a pesquisadora Eloisa Bonfá, destacando a importância clínica da descoberta.

Nuances Importantes para o Tratamento 🩺

O estudo também identificou que alguns medicamentos específicos, como o rituximabe, podem reduzir a resposta imunológica à vacina. Isso não invalida a recomendação, mas indica que, nesses casos, podem ser necessárias estratégias de vacinação personalizadas, ajustando o momento da aplicação em relação ao ciclo do medicamento para garantir a proteção ideal.

Disponibilidade no Brasil e Impacto nas Políticas Públicas 💉

Atualmente, a vacina contra herpes-zóster (Shingrix) está disponível no Brasil apenas na rede privada, em clínicas de vacinação e algumas farmácias, com preço superior a R$ 1.000 por dose – e o esquema exige duas doses. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda o imunizante para pessoas com 60 anos ou mais, mas ele pode ser tomado a partir dos 50 anos (ou a partir de 18 anos para imunocomprometidos).

A diretriz internacional sempre indicou a vacina para pacientes reumáticos, mas a falta de estudos robustos com essa população específica gerava hesitação. A pesquisa da USP agora preenche essa lacuna com evidências nacionais de alta qualidade.

Para a reumatologista, o resultado deve mudar as políticas públicas de saúde no país, facilitando o acesso ao imunizante para pacientes com doenças autoimunes pelo Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que comprovada a segurança e eficácia nesse grupo de risco.

“É uma população que precisa muito dessa proteção, pois tem maior risco de desenvolver herpes-zóster e suas complicações, como a neuralgia pós-herpética” , conclui Bonfá.

A comprovação da USP coloca o Brasil na vanguarda da segurança vacinal para pacientes reumáticos e abre caminho para que milhões de brasileiros com lúpus, artrite e outras doenças autoimunes possam se beneficiar dessa proteção sem medo.


🔍 O Estudo da Vacina da Herpes-Zóster em Pacientes Reumáticos

Aspecto AnalisadoResultado
População do estudo1.192 pacientes com doenças reumáticas autoimunes (lúpus, artrite reumatoide, etc.), inclusive em uso de imunossupressores.
Segurança (agravamento da doença)Comprovada: 14% de piora nos vacinados vs. 15% no placebo (diferença não significativa).
Eficácia (produção de anticorpos)Cerca de 90% dos vacinados responderam adequadamente.
Reações adversasMenos frequentes do que em pessoas saudáveis.
Medicamentos que exigem cuidadoRituximabe pode reduzir a resposta; necessidade de estratégias personalizadas.
Disponibilidade no BrasilApenas na rede privada (> R$ 1.000/dose). Estudo pode subsidiar política pública para inclusão no SUS.

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