Livro de médica da UFG discute o efeito das telas no sono e nos hormônios das crianças
Endocrinologista pediatra Renata Machado explica o que já se sabe sobre luz azul, melatonina e metabolismo, e o que ainda não está comprovado.
O excesso de telas costuma ser discutido pelo lado da saúde mental, mas também pode afetar o funcionamento hormonal e metabólico das crianças. É o tema de “Infância Hiperconectada: como o excesso de telas afeta a saúde do seu filho”, novo livro da endocrinologista pediatra Renata Machado, professora da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Luz à noite e sono
Segundo a médica, a luz artificial à noite, principalmente a azul emitida pelos aparelhos, interfere na produção de melatonina, o hormônio que sinaliza a hora de dormir. Isso pode atrasar o início do sono. Conteúdos estimulantes ainda mantêm o cérebro em alerta quando ele deveria estar descansando.
Apetite e metabolismo
Quando o uso excessivo prejudica o sono e favorece o sedentarismo, pode contribuir para alterações no apetite, no metabolismo da glicose e na composição corporal. Somadas a uma alimentação inadequada, essas mudanças elevam o risco de obesidade ao longo do tempo.
O que ainda não está provado
- Crescimento: a maior parte do hormônio do crescimento é liberada durante o sono, mas não há evidência robusta de que as telas, sozinhas, provoquem baixa estatura em uma criança saudável.
- Puberdade: uma revisão de 2025, com cerca de 98 mil crianças e adolescentes, associou mais tempo de tela a puberdade mais precoce, mas os autores não estabeleceram relação de causa. “Ainda não podemos afirmar que a luz das telas provoque puberdade precoce em crianças”, afirma a médica.
A autora lembra que o crescimento depende de uma combinação de genética, nutrição, hormônios, sono e atividade física.
Com informações do Jornal Opção.