{"id":995,"date":"2026-06-16T08:49:05","date_gmt":"2026-06-16T11:49:05","guid":{"rendered":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/?p=995"},"modified":"2026-06-16T08:49:07","modified_gmt":"2026-06-16T11:49:07","slug":"nova-diretriz-internacional-coloca-canetas-emagrecedoras-como-primeira-opcao-no-tratamento-da-obesidade-mas-no-brasil-elas-continuam-fora-do-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/2026\/06\/16\/nova-diretriz-internacional-coloca-canetas-emagrecedoras-como-primeira-opcao-no-tratamento-da-obesidade-mas-no-brasil-elas-continuam-fora-do-sus\/","title":{"rendered":"Nova diretriz internacional coloca canetas emagrecedoras como primeira op\u00e7\u00e3o no tratamento da obesidade \u2013 mas no Brasil, elas continuam fora do SUS"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Documento do American College of Physicians estabelece semaglutida e tirzepatida como l\u00edderes no combate \u00e0 obesidade, em linha com o que a diretriz brasileira j\u00e1 recomendava; especialista destaca que o tratamento \u00e9 cr\u00f4nico, n\u00e3o uma varinha m\u00e1gica, e que o maior obst\u00e1culo no pa\u00eds \u00e9 o acesso: nenhum desses medicamentos est\u00e1 dispon\u00edvel gratuitamente na rede p\u00fablica<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"888\" height=\"500\" src=\"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-996\" srcset=\"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5.png 888w, https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5-300x169.png 300w, https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5-768x432.png 768w, https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5-390x220.png 390w\" sizes=\"auto, (max-width: 888px) 100vw, 888px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>H\u00e1 duas d\u00e9cadas, perder 5% do peso corporal era uma vit\u00f3ria celebrada nos consult\u00f3rios. Quem n\u00e3o alcan\u00e7ava essa marca em tr\u00eas meses de tratamento era rotulado como &#8220;n\u00e3o respondedor&#8221;. Hoje, um \u00fanico medicamento faz com que nove em cada dez pessoas ultrapassem esse patamar \u2013 e \u00e9 essa virada que sustenta a nova diretriz do American College of Physicians (ACP) , publicada na segunda-feira (15) na revista cient\u00edfica <em>Annals of Internal Medicine<\/em>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O documento, voltado especialmente para m\u00e9dicos generalistas, estabelece a semaglutida (Ozempic\/Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro) \u2013 as chamadas &#8220;canetas emagrecedoras&#8221; que imitam horm\u00f4nios intestinais ligados \u00e0 saciedade \u2013 como a primeira op\u00e7\u00e3o quando se decide tratar a obesidade com medicamentos, sempre em combina\u00e7\u00e3o com mudan\u00e7as no estilo de vida.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diretriz organiza as demais drogas numa hierarquia clara:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Primeira linha:<\/strong> semaglutida ou tirzepatida<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Segunda linha:<\/strong> combina\u00e7\u00e3o fentermina-topiramato<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Terceira linha:<\/strong> liraglutida<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Quarta linha:<\/strong> associa\u00e7\u00e3o naltrexona-bupropiona<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para pessoas com <strong>sobrepeso (IMC entre 27 e 30)<\/strong> e pelo menos uma doen\u00e7a associada \u2013 como diabetes tipo 2, colesterol alterado, hipertens\u00e3o, apneia do sono ou doen\u00e7a cardiovascular \u2013, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 come\u00e7ar por semaglutida ou tirzepatida, com a liraglutida como segunda escolha.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\ud83c\udf0e O tamanho do problema: mais da metade do mundo vive com excesso de peso<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pano de fundo da diretriz \u00e9 uma epidemia global que n\u00e3o para de crescer. Segundo dados citados pelo ACP, <strong>59% da popula\u00e7\u00e3o mundial<\/strong> vive com sobrepeso ou obesidade. No Brasil, os n\u00fameros s\u00e3o ainda mais expressivos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>68% dos adultos<\/strong> t\u00eam excesso de peso<\/li>\n\n\n\n<li><strong>31% convivem com obesidade<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li>S\u00f3 em 2021, <strong>quase 61 mil mortes prematuras<\/strong> no pa\u00eds foram atribu\u00eddas ao IMC elevado<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;A obesidade n\u00e3o \u00e9 falta de for\u00e7a de vontade. \u00c9 uma doen\u00e7a complexa, com componentes gen\u00e9ticos e ambientais \u2013 n\u00e3o se resume a comer demais e gastar de menos. Ainda assim, o estigma resiste: press\u00e3o alta a pessoa esconde, obesidade n\u00e3o d\u00e1 para esconder, e vem o julgamento de que \u00e9 pregui\u00e7a&#8221;<\/em> , afirma <strong>Fernando Valente<\/strong>, coordenador do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o em Diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e um dos autores da diretriz brasileira sobre obesidade e risco cardiovascular.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\ud83c\udde7\ud83c\uddf7 O que o Brasil j\u00e1 recomendava \u2013 e onde a diretriz americana avan\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diretriz americana n\u00e3o chega a um pa\u00eds desavisado. Em <strong>2025<\/strong>, cinco entidades nacionais \u2013 a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira para o Estudo da Obesidade e da S\u00edndrome Metab\u00f3lica (Abeso), a SBD, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Academia Brasileira do Sono (ABS) \u2013 publicaram em conjunto uma diretriz que j\u00e1 colocava semaglutida e tirzepatida no centro do tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diferen\u00e7a est\u00e1 na l\u00f3gica de cada documento:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O <strong>ACP<\/strong> prop\u00f5e uma <strong>escada de medicamentos<\/strong> (primeira a quarta linha), pensada para orientar o cl\u00ednico geral.<\/li>\n\n\n\n<li>O <strong>texto brasileiro<\/strong> parte do <strong>risco cardiovascular<\/strong> do paciente, estratificando cada pessoa por sua probabilidade de infarto, AVC e insufici\u00eancia card\u00edaca \u2013 com apoio de uma calculadora chamada <strong>escore PREVENT<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os protagonistas, por\u00e9m, s\u00e3o os mesmos. <em>&#8220;Esses documentos brasileiros j\u00e1 trazem essas prioridades. Eu, ali\u00e1s, sou um dos autores do que trata de obesidade e doen\u00e7a cardiovascular&#8221;<\/em> , diz Valente. <em>&#8220;O que falta, muitas vezes, \u00e9 leitura.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 ainda uma assimetria nas prateleiras: a combina\u00e7\u00e3o fentermina-topiramato, segunda linha na diretriz americana, sequer aparece entre os medicamentos para obesidade que o documento brasileiro lista como aprovados no pa\u00eds. E a <strong>sibutramina<\/strong>, que por aqui ainda \u00e9 prescrita, \u00e9 explicitamente desaconselhada pelo texto nacional em quem tem alto risco cardiovascular.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u26a0\ufe0f A sombra da sibutramina: por que o medo ainda persiste<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ressalva \u00e0 sibutramina tem hist\u00f3ria. <em>&#8220;No in\u00edcio do s\u00e9culo, a sibutramina foi o que a semaglutida \u00e9 hoje: virou febre, e muita gente tomava sem acompanhamento&#8221;<\/em> , conta Valente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando enfim se desenhou um grande estudo \u2013 o ensaio cl\u00ednico <strong>SCOUT<\/strong>, com cerca de 10 mil pacientes \u2013, o bra\u00e7o que recebia a droga apresentou <strong>mais eventos cardiovasculares graves<\/strong> do que o grupo placebo (risco 16% maior no desfecho combinado), e o rem\u00e9dio acabou retirado dos mercados europeu e americano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Valente faz quest\u00e3o de um contraponto: <em>&#8220;O detalhe \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o estudada era de alt\u00edssimo risco, gente que j\u00e1 tinha infartado. Mais de 90% daqueles pacientes j\u00e1 tinham contraindica\u00e7\u00e3o formal \u00e0 sibutramina. O estudo, no fundo, s\u00f3 confirmou o que a bula dizia.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, o epis\u00f3dio plantou no imagin\u00e1rio a ideia de que tratar obesidade seria perigoso \u2013 um medo que, hoje, afasta do tratamento quem dele se beneficiaria.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\ud83d\udccf Quanto se precisa perder? A nova r\u00e9gua da endocrinologia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tanto o documento americano quanto o brasileiro tratam a perda de peso como <strong>meio<\/strong>, n\u00e3o como fim est\u00e9tico. Valente resume a r\u00e9gua que a endocrinologia passou a adotar:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Perda de peso<\/th><th class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Benef\u00edcio cl\u00ednico<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>3%<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Melhora da glicose e triglic\u00e9rides<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>5% a 10%<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Aumento do &#8220;colesterol bom&#8221; (HDL), melhora da qualidade de vida, redu\u00e7\u00e3o de dores no joelho e incontin\u00eancia urin\u00e1ria<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>10%<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Redu\u00e7\u00e3o do risco de infarto e AVC, revers\u00e3o da gordura no f\u00edgado<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>15% ou mais<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Redu\u00e7\u00e3o da mortalidade, remiss\u00e3o do diabetes tipo 2<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;A meta n\u00e3o \u00e9 normalizar o IMC. Para quem tem obesidade grau 1 ou 2, o alvo \u00e9 perder 10% do peso; na obesidade grave, 15% ou mais. Por isso \u00e9 injusto olhar para algu\u00e9m acima do peso e concluir que n\u00e3o se cuida \u2013 essa pessoa pode j\u00e1 ter perdido 15%, 20%, e estar muito melhor do que estava.&#8221;<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova diretriz do ACP dedica um trecho a um receio comum: orienta os m\u00e9dicos a alertar sobre poss\u00edveis efeitos do emagrecimento r\u00e1pido, como defici\u00eancias nutricionais e perda de massa muscular e \u00f3ssea, sobretudo em idosos \u2013 preocupa\u00e7\u00e3o que o documento brasileiro tamb\u00e9m registra ao recomendar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 ingest\u00e3o de prote\u00edna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O risco real, pondera Valente, mora menos no tratamento com evid\u00eancia e mais no atalho: <em>&#8220;F\u00f3rmulas manipuladas com diur\u00e9ticos e horm\u00f4nios fazem perder massa muscular e \u00f3ssea e podem causar arritmia. Isso, sim, \u00e9 contraindicado.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\ud83e\uddea O que coloca semaglutida e tirzepatida no topo: efic\u00e1cia e prote\u00e7\u00e3o cardiovascular<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A explica\u00e7\u00e3o para a lideran\u00e7a vai al\u00e9m da balan\u00e7a. Na primeira compara\u00e7\u00e3o direta entre elas, o estudo <strong>SURMOUNT-5<\/strong>, em pessoas com obesidade e sem diabetes, a <strong>tirzepatida levou a uma perda m\u00e9dia de cerca de 20% do peso em 72 semanas<\/strong>, contra aproximadamente <strong>14% da semaglutida<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o trunfo, diz Valente, \u00e9 cardiovascular. <em>&#8220;Esses rem\u00e9dios n\u00e3o tratam s\u00f3 a obesidade: melhoram as doen\u00e7as que v\u00eam junto com ela. E, principalmente, protegem o cora\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/em> Os ganhos extrapolam o peso: a tirzepatida, por exemplo, tornou-se o primeiro rem\u00e9dio aprovado pelo FDA para a apneia do sono moderada a grave.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A evid\u00eancia mais citada \u00e9 o estudo <strong>SELECT<\/strong>, de 2023: em mais de 17 mil pessoas com obesidade e doen\u00e7a cardiovascular j\u00e1 estabelecida, a semaglutida reduziu em <strong>20% os infartos, AVCs e mortes de causa cardiovascular<\/strong> em rela\u00e7\u00e3o ao placebo \u2013 n\u00famero que a diretriz brasileira incorpora.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;\u00c9 um rem\u00e9dio que, para quem j\u00e1 infartou e tem obesidade, diminui a chance de morrer&#8221;<\/em> , diz o m\u00e9dico.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No fim de 2025, o estudo <strong>SURPASS-CVOT<\/strong> estendeu o racioc\u00ednio \u00e0 tirzepatida: em pacientes de alto risco com diabetes, a droga se mostrou <strong>t\u00e3o segura para o cora\u00e7\u00e3o quanto a dulaglutida<\/strong> \u2013 um agonista de GLP-1 de benef\u00edcio j\u00e1 comprovado \u2013 e ainda registrou mortalidade geral <strong>16% menor<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\ud83e\udd14 Semaglutida ou tirzepatida? A escolha \u00e9 compartilhada<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Definidas as l\u00edderes, resta escolher entre elas \u2013 e a\u00ed, diz Valente, entram quatro vari\u00e1veis: <em>&#8220;A escolha passa pela efic\u00e1cia que se busca, pelo custo do tratamento, pelo hist\u00f3rico do paciente e pela prefer\u00eancia dele. A medicina caminhou para a decis\u00e3o compartilhada: o m\u00e9dico se apoia nas melhores evid\u00eancias e decide junto com o paciente.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Para quem tem <strong>muito peso a perder<\/strong>, a tirzepatida tende a entregar mais.<\/li>\n\n\n\n<li>A semaglutida, em geral <strong>mais barata<\/strong>, ganha terreno onde o bolso pesa \u2013 sobretudo com a aproxima\u00e7\u00e3o da perda de patente e a guerra de pre\u00e7os que j\u00e1 come\u00e7ou.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O alerta de Valente, por\u00e9m, \u00e9 outro: o tratamento n\u00e3o tem prazo curto.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Tratar obesidade n\u00e3o \u00e9 varinha m\u00e1gica. \u00c9 doen\u00e7a cr\u00f4nica, como diabetes, press\u00e3o e colesterol \u2013 se o rem\u00e9dio para, o quadro volta. Sustentar isso por anos \u00e9 quase invi\u00e1vel pelo pre\u00e7o, sem mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos e sem educar o paciente de que n\u00e3o se trata s\u00f3 o peso: previne-se comorbidade e reduz-se a chance de morrer.&#8221;<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\ud83d\udea7 O ponto cego brasileiro: efic\u00e1cia comprovada, acesso negado<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 o pre\u00e7o que exp\u00f5e o ponto cego brasileiro. A pr\u00f3pria diretriz nacional reconhece, em sua conclus\u00e3o, que o <strong>Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) n\u00e3o oferece nenhum medicamento contra a obesidade<\/strong> \u2013 e sugere, enquanto isso, priorizar os grupos de maior risco cardiovascular. Uma diretriz internacional, por mais robusta, n\u00e3o muda essa equa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Questionado se o documento americano vai se refletir por aqui, Valente hesita entre o ceticismo e a aposta.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;N\u00e3o cai do dia para a noite. A obesidade ainda carrega o estigma da pregui\u00e7a, e parte dos m\u00e9dicos resiste \u00e0 evid\u00eancia \u2013 prescreve por outros motivos. A diretriz, sozinha, n\u00e3o muda isso. Muda com di\u00e1logo, com educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica continuada e com o papel da imprensa s\u00e9ria em divulgar o que de fato funciona.&#8221;<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por ora, o que dois continentes parecem ter assinado embaixo \u00e9 uma frase que ainda soa nova: <strong>a obesidade se trata, e se trata para viver mais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\ud83d\udd0d <\/strong>N<strong>ova diretriz do ACP e sua aplica\u00e7\u00e3o no Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Aspecto<\/th><th class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Informa\u00e7\u00e3o<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>\u00d3rg\u00e3o que publicou<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">American College of Physicians (ACP)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Peri\u00f3dico<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Annals of Internal Medicine (15\/06\/2026)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Primeira linha<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Semaglutida ou tirzepatida (sempre + mudan\u00e7as no estilo de vida)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Segunda linha<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Fentermina-topiramato<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Terceira linha<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Liraglutida<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Quarta linha<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Naltrexona-bupropiona<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Indica\u00e7\u00e3o para sobrepeso (IMC 27-30)<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Se houver comorbidade, come\u00e7ar com semaglutida ou tirzepatida<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Efic\u00e1cia da tirzepatida<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Perda de ~20% do peso em 72 semanas (estudo SURMOUNT-5)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Efic\u00e1cia da semaglutida<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Perda de ~14% do peso no mesmo per\u00edodo<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Benef\u00edcio cardiovascular (semaglutida)<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Redu\u00e7\u00e3o de 20% em infartos, AVCs e mortes (estudo SELECT, 2023)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Benef\u00edcio cardiovascular (tirzepatida)<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Redu\u00e7\u00e3o de 16% na mortalidade geral (estudo SURPASS-CVOT, 2025)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Disponibilidade no SUS<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Nenhuma<\/strong> das drogas est\u00e1 dispon\u00edvel gratuitamente na rede p\u00fablica<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Diretriz brasileira (2025)<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">J\u00e1 recomendava semaglutida e tirzepatida como prioridade, com base no risco cardiovascular<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Compara\u00e7\u00e3o com diretriz nacional<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">ACP usa l\u00f3gica de escada; Brasil usa estratifica\u00e7\u00e3o por risco cardiovascular<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Mensagem principal<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">A obesidade \u00e9 uma doen\u00e7a cr\u00f4nica trat\u00e1vel; o acesso no Brasil ainda \u00e9 o principal obst\u00e1culo<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento do American College of Physicians estabelece semaglutida e tirzepatida como l\u00edderes no combate \u00e0 obesidade, em linha com o que a diretriz brasileira j\u00e1 recomendava; especialista destaca que o tratamento \u00e9 cr\u00f4nico, n\u00e3o uma varinha m\u00e1gica, e que o maior obst\u00e1culo no pa\u00eds \u00e9 o acesso: nenhum desses medicamentos est\u00e1 dispon\u00edvel gratuitamente na rede &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":996,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16,18],"tags":[],"class_list":["post-995","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-noticias-saude-e-bem-estar-cientificas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/995","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=995"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/995\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":997,"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/995\/revisions\/997"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/996"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=995"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=995"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=995"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}