{"id":948,"date":"2026-05-21T19:39:19","date_gmt":"2026-05-21T22:39:19","guid":{"rendered":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/?p=948"},"modified":"2026-05-21T19:39:20","modified_gmt":"2026-05-21T22:39:20","slug":"estudo-expoe-desperdicio-bilionario-sus-ainda-prescreve-drogas-ineficazes-contra-cancer-de-prostata-avancado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/2026\/05\/21\/estudo-expoe-desperdicio-bilionario-sus-ainda-prescreve-drogas-ineficazes-contra-cancer-de-prostata-avancado\/","title":{"rendered":"Estudo exp\u00f5e desperd\u00edcio bilion\u00e1rio: SUS ainda prescreve drogas ineficazes contra c\u00e2ncer de pr\u00f3stata avan\u00e7ado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pesquisa publicada no JCO Global Oncology analisou 38.851 pacientes atendidos na rede p\u00fablica entre 2017 e 2023; 19% dos homens com doen\u00e7a resistente \u00e0 castra\u00e7\u00e3o receberam &#8220;terapias f\u00fateis&#8221;, que n\u00e3o aumentam a sobrevida \u2014 e custaram US$ 63,3 milh\u00f5es que poderiam ter sido investidos em tratamentos modernos j\u00e1 dispon\u00edveis no sistema<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\" src=\"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-9.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-950\" srcset=\"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-9.png 900w, https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-9-300x200.png 300w, https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-9-768x512.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um em cada cinco. \u00c9 a propor\u00e7\u00e3o de pacientes com c\u00e2ncer de pr\u00f3stata avan\u00e7ado atendidos pelo SUS que ainda recebem medicamentos completamente ineficazes para o seu est\u00e1gio da doen\u00e7a. S\u00e3o homens que, na fase mais cr\u00edtica do tumor \u2014 quando ele j\u00e1 n\u00e3o responde mais \u00e0 terapia hormonal padr\u00e3o \u2014, s\u00e3o submetidos a drogas que n\u00e3o aumentam em um \u00fanico dia a sua sobrevida, o que os especialistas chamam de &#8220;tratamentos f\u00fateis&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os n\u00fameros s\u00e3o alarmantes. Uma an\u00e1lise conduzida por dez pesquisadores brasileiros, publicada no prestigiado peri\u00f3dico <strong>JCO Global Oncology<\/strong>, avaliou <strong>38.851 pacientes<\/strong> da rede p\u00fablica com c\u00e2ncer de pr\u00f3stata avan\u00e7ado resistente \u00e0 castra\u00e7\u00e3o (CPRC) no per\u00edodo de 2017 a 2023. A conclus\u00e3o: <strong>19% desse total recebeu terapias ineficazes<\/strong>, incapazes de conter a progress\u00e3o tumoral ou prolongar a vida. O gasto com esses medicamentos \u2014 entre eles ciclofosfamida, flutamida, vinorelbina e mitoxantrona \u2014 somou <strong>US$ 63,3 milh\u00f5es<\/strong> em sete anos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Na oncologia, a diferen\u00e7a entre os pacientes tratados no servi\u00e7o p\u00fablico e no privado costuma ser gritante. Nos hospitais particulares, os pacientes vivem muito mais porque t\u00eam acesso aos melhores tratamentos&#8221;<\/em> , afirmou ao UOL o oncologista <strong>Fernando Sabino<\/strong>, do Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas, em Bras\u00edlia, um dos autores do estudo.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O achado, no entanto, n\u00e3o era o objetivo inicial da pesquisa. O time de pesquisadores \u2014 que re\u00fane alguns dos maiores especialistas em c\u00e2ncer de pr\u00f3stata do pa\u00eds \u2014 pretendia inicialmente analisar custos e propor otimiza\u00e7\u00f5es dentro do or\u00e7amento existente. O que encontraram foi um cen\u00e1rio de desorganiza\u00e7\u00e3o e aus\u00eancia de pol\u00edtica nacional estruturada para a jornada do paciente na rede p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">&#8220;Tratamentos f\u00fateis&#8221;: o atraso de uma gera\u00e7\u00e3o na oncologia<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O c\u00e2ncer de pr\u00f3stata avan\u00e7ado resistente \u00e0 castra\u00e7\u00e3o \u00e9 um est\u00e1gio cruel. Ap\u00f3s um per\u00edodo em que a terapia hormonal (castra\u00e7\u00e3o qu\u00edmica) consegue controlar o tumor \u2014 pois as c\u00e9lulas malignas dependem da testosterona para crescer \u2014, chega o momento em que a doen\u00e7a escapa a esse controle. \u00c9 nesse ponto que os tratamentos precisam ser intensificados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos anos 1990 e in\u00edcio dos 2000, o arsenal terap\u00eautico era limitado. Al\u00e9m da quimioterapia com docetaxel (a \u00fanica com algum benef\u00edcio modesto), restavam drogas como ciclofosfamida, flutamida, vinorelbina e mitoxantrona. Elas tinham um efeito paliativo m\u00ednimo sobre os sintomas, mas <strong>nenhum impacto demonstrado na sobrevida global<\/strong> de pacientes com CPRC.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;A &#8216;pegadinha&#8217; \u00e9 que elas baixam o PSA [ant\u00edgeno prost\u00e1tico espec\u00edfico, marcador tumoral]. O m\u00e9dico v\u00ea o n\u00famero caindo e acha que o tratamento est\u00e1 funcionando. Mas n\u00e3o est\u00e1&#8221;<\/em> , alerta Sabino. O PSA pode cair temporariamente, mas isso n\u00e3o se traduz em dias a mais de vida.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto o SUS mantinha essas op\u00e7\u00f5es obsoletas em seus protocolos, a oncologia mundial avan\u00e7ava. Em 2011, nos Estados Unidos \u2014 e, em 2013, nos hospitais privados brasileiros \u2014 surgiram medicamentos capazes de <strong>reduzir em at\u00e9 25% o risco de morte<\/strong> de homens com c\u00e2ncer de pr\u00f3stata resistente \u00e0 castra\u00e7\u00e3o. Entre eles, a <strong>abiraterona<\/strong> e a <strong>enzalutamida<\/strong>, drogas modernas que bloqueiam a via do andr\u00f3geno por mecanismos diferentes e mais potentes do que as terapias antigas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O paradoxo do dinheiro: h\u00e1 recursos, falta organiza\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos achados mais contundentes da an\u00e1lise \u00e9 que o problema do SUS n\u00e3o \u00e9, primariamente, a falta de verbas. Em sete anos, gastaram-se US$ 63,3 milh\u00f5es com tratamentos f\u00fateis que n\u00e3o trouxeram qualquer benef\u00edcio aos pacientes. O mesmo montante, se realocado, poderia ter proporcionado acesso a terapias modernas j\u00e1 incorporadas ao sistema.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;A dificuldade de acesso n\u00e3o ocorre por falta de dinheiro, mas por desorganiza\u00e7\u00e3o e por n\u00e3o existir uma pol\u00edtica nacional que defina a jornada desse indiv\u00edduo, ou seja, o que deve ser feito com ele quando alcan\u00e7a esse est\u00e1gio do c\u00e2ncer&#8221;<\/em> , explica Sabino.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A compra de medicamentos, detalha o oncologista, n\u00e3o \u00e9 centralizada pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. O dinheiro \u00e9 repassado aos estados e munic\u00edpios, que s\u00e3o respons\u00e1veis pelas compras junto aos centros de refer\u00eancia em oncologia. Essa descentraliza\u00e7\u00e3o, embora tenha vantagens locais, cria um <strong>caldo de cultura para a persist\u00eancia de pr\u00e1ticas ultrapassadas<\/strong>: sem um protocolo nacional r\u00edgido e monitoramento centralizado, cada servi\u00e7o acaba repetindo o que sempre fez.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O abismo entre a evid\u00eancia e a pr\u00e1tica no Brasil<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As diretrizes internacionais mais recentes s\u00e3o claras. O NCCN (<em>National Comprehensive Cancer Network<\/em>), nos Estados Unidos, recomenda para pacientes com CPRC metast\u00e1tico a continua\u00e7\u00e3o da terapia de priva\u00e7\u00e3o androg\u00eanica associada a inibidores da via do receptor de andr\u00f3geno (como abiraterona, enzalutamida, apalutamida ou darolutamida), quimioterapias mais modernas (cabazitaxel), imunoterapias, radiof\u00e1rmacos ou terapias-alvo. A monoterapia com drogas da gera\u00e7\u00e3o dos anos 1990 <strong>n\u00e3o \u00e9 mais sequer listada<\/strong> como op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diretriz da Associa\u00e7\u00e3o Americana de Urologia (AUA\/SUO), atualizada em 2026, tamb\u00e9m recomenda a oferta de terapias combinadas e agentes modernos, como apalutamida, para pacientes com CPRC n\u00e3o metast\u00e1tico de alto risco. Nenhuma das diretrizes inclui ciclofosfamida, flutamida ou mitoxantrona como padr\u00e3o no cen\u00e1rio de resist\u00eancia \u00e0 castra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, a <strong>Conitec (Comiss\u00e3o Nacional de Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias)<\/strong> j\u00e1 incorporou abiraterona, apalutamida, darolutamida e enzalutamida para indica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas no SUS. Os medicamentos est\u00e3o dispon\u00edveis \u2014 em tese. A quest\u00e3o \u00e9 que, na pr\u00e1tica cl\u00ednica di\u00e1ria de muitos servi\u00e7os, m\u00e9dicos menos atualizados ou com acesso limitado \u00e0 informa\u00e7\u00e3o seguem prescrevendo o que aprenderam h\u00e1 20 anos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Uma coisa \u00e9 falar do oncologista que est\u00e1 nas grandes capitais. Outra \u00e9 o profissional que est\u00e1 l\u00e1 no interior do pa\u00eds e que nem sabe que j\u00e1 existe abiraterona no SUS. Esse colega v\u00ea o PSA ser derrubado por medicamentos que s\u00e3o totalmente ineficazes para esse est\u00e1gio e acha que est\u00e1 fazendo o melhor para o paciente&#8221;<\/em> , lamenta Sabino.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Os medicamentos ineficazes (e os que deveriam substitu\u00ed-los)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A seguir, um resumo das drogas que ainda s\u00e3o prescritas sem embasamento para CPRC e as alternativas modernas j\u00e1 dispon\u00edveis no SUS ou em fase de incorpora\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Medicamento ineficaz (CPRC)<\/th><th class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Classe<\/th><th class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Por que \u00e9 obsoleto<\/th><th class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Alternativa moderna (no SUS)<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Ciclofosfamida<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Agente alquilante<\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Tem alguma atividade paliativa, mas sem ganho de sobrevida global. Estudos datam dos anos 1990.<\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Abiraterona + prednisona \/ Enzalutamida<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Flutamida<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Antiandr\u00f3geno n\u00e3o esteroidal (1\u00aa gera\u00e7\u00e3o)<\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Baixa pot\u00eancia, perde efic\u00e1cia rapidamente (fen\u00f4meno de retirada). Efeitos adversos gastrointestinais e hep\u00e1ticos relevantes.<\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Apalutamida \/ Darolutamida \/ Enzalutamida (antiandr\u00f3genos de 2\u00aa gera\u00e7\u00e3o)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Vinorelbina<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Alcaloide da vinca<\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Resposta limitada em monoterapia. N\u00e3o prolonga sobrevida global em ensaios cl\u00ednicos robustos.<\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Docetaxel (primeira linha de quimioterapia) ou cabazitaxel (p\u00f3s-docetaxel)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Mitoxantrona<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Antracenediona<\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Demonstrou melhora paliativa (controle da dor), mas n\u00e3o aumento da sobrevida. Cardiotoxicidade significativa.<\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Radioterapia paliativa dirigida a met\u00e1stases \u00f3sseas sintom\u00e1ticas; radiof\u00e1rmacos (ex.: r\u00e1dio-223)<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O caminho para frente: otimizar recursos e salvar vidas<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mensagem final dos pesquisadores n\u00e3o \u00e9 de desespero, mas de <strong>oportunidade<\/strong>. O estudo no JCO Global Oncology foi feito com a premissa de n\u00e3o se tirar uma moeda a mais dos cofres p\u00fablicos, apenas de se <strong>realocar gastos<\/strong> do que n\u00e3o funciona para o que funciona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para isso, s\u00e3o necess\u00e1rios:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Atualiza\u00e7\u00e3o imediata dos protocolos assistenciais do SUS<\/strong>, retirando a indica\u00e7\u00e3o formal de medicamentos sabidamente ineficazes para CPRC.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica continuada<\/strong>, especialmente para oncologistas que atuam em regi\u00f5es menos centrais do pa\u00eds, sobre as op\u00e7\u00f5es modernas j\u00e1 dispon\u00edveis na rede p\u00fablica.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Monitoramento centralizado<\/strong> das prescri\u00e7\u00f5es e desfechos, com indicadores que permitam identificar rapidamente servi\u00e7os que estejam prescrevendo fora do padr\u00e3o baseado em evid\u00eancia.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Transpar\u00eancia de custos e aloca\u00e7\u00e3o<\/strong>, para que os US$ 63,3 milh\u00f5es desperdi\u00e7ados sejam realocados, ano a ano, em terapias que efetivamente prolongam a vida com qualidade.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;A ideia n\u00e3o \u00e9 gastar mais recursos, mas us\u00e1-los com intelig\u00eancia&#8221;<\/em> , conclui Fernando Sabino.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desperd\u00edcio bilion\u00e1rio em tratamentos f\u00fateis n\u00e3o \u00e9 apenas uma afronta \u00e0 racionalidade econ\u00f4mica. \u00c9 uma trag\u00e9dia humana: milhares de homens receberam, ao longo de sete anos, drogas que n\u00e3o poderiam salv\u00e1-los, enquanto terapias modernas \u2014 j\u00e1 pagas com os mesmos impostos \u2014 estavam dispon\u00edveis mas subutilizadas por falta de organiza\u00e7\u00e3o do sistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Est\u00e1 na hora de o SUS n\u00e3o apenas incorporar novas tecnologias, mas tamb\u00e9m abandonar velhas pr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\ud83d\udd0d Resumo do estudo e suas implica\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Aspecto<\/th><th class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Informa\u00e7\u00e3o<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Peri\u00f3dico<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">JCO Global Oncology<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Per\u00edodo analisado<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">2017 a 2023<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>N\u00famero de pacientes<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">38.851 (SUS, com c\u00e2ncer de pr\u00f3stata avan\u00e7ado resistente \u00e0 castra\u00e7\u00e3o)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Propor\u00e7\u00e3o com tratamentos ineficazes<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">19% (cerca de 1 em cada 5)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Medicamentos ineficazes citados<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Ciclofosfamida, flutamida, vinorelbina, mitoxantrona<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Gasto total com tratamentos f\u00fateis<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">US$ 63,3 milh\u00f5es (7 anos)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Tratamentos modernos dispon\u00edveis (mas subutilizados)<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Abiraterona, enzalutamida, apalutamida, darolutamida, docetaxel, cabazitaxel<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Principal entrave identificado<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Desorganiza\u00e7\u00e3o, falta de pol\u00edtica nacional estruturada e desatualiza\u00e7\u00e3o de protocolos, n\u00e3o falta de recursos.<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Principal recomenda\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Realocar gastos do ineficaz para o eficaz, investir em educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica continuada e monitoramento centralizado das prescri\u00e7\u00f5es.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa publicada no JCO Global Oncology analisou 38.851 pacientes atendidos na rede p\u00fablica entre 2017 e 2023; 19% dos homens com doen\u00e7a resistente \u00e0 castra\u00e7\u00e3o receberam &#8220;terapias f\u00fateis&#8221;, que n\u00e3o aumentam a sobrevida \u2014 e custaram US$ 63,3 milh\u00f5es que poderiam ter sido investidos em tratamentos modernos j\u00e1 dispon\u00edveis no sistema Um em cada cinco. 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