{"id":1150,"date":"2026-07-17T10:09:46","date_gmt":"2026-07-17T13:09:46","guid":{"rendered":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/?p=1150"},"modified":"2026-07-17T10:15:31","modified_gmt":"2026-07-17T13:15:31","slug":"o-colesterol-que-a-estatina-nao-toca-lpa-o-fator-genetico-silencioso-que-pode-triplicar-o-risco-de-infarto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/2026\/07\/17\/o-colesterol-que-a-estatina-nao-toca-lpa-o-fator-genetico-silencioso-que-pode-triplicar-o-risco-de-infarto\/","title":{"rendered":"O colesterol que a estatina n\u00e3o toca: Lp(a), o fator gen\u00e9tico silencioso que pode triplicar o risco de infarto"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lipoprote\u00edna(a) \u00e9 determinada quase que inteiramente pela heran\u00e7a familiar e n\u00e3o responde a dieta ou exerc\u00edcio; nova diretriz americana recomenda dosagem \u00fanica para todos os adultos, e os primeiros medicamentos espec\u00edficos \u2014 como o pelacarseno \u2014 podem ter seus resultados divulgados ainda este ano<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"638\" height=\"480\" src=\"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-24.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1151\" srcset=\"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-24.png 638w, https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-24-300x226.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 638px) 100vw, 638px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe um tipo de colesterol que escapa \u00e0s principais armas da cardiologia moderna. N\u00e3o se altera com dieta, n\u00e3o responde \u00e0 pr\u00e1tica de exerc\u00edcios e, o que \u00e9 mais surpreendente, as estatinas \u2014 os medicamentos mais prescritos para baixar o colesterol &#8220;ruim&#8221; \u2014 praticamente n\u00e3o o afetam. \u00c9 a <strong>lipoprote\u00edna(a)<\/strong>, ou Lp(a), uma fra\u00e7\u00e3o lip\u00eddica determinada quase inteiramente pela gen\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estima-se que uma em cada cinco pessoas tenha n\u00edveis elevados dessa subst\u00e2ncia \u2014 na maioria das vezes, sem saber. E quando esses n\u00edveis est\u00e3o acima de cerca de 50 mg\/dL, o risco de infarto pode ser at\u00e9 <strong>tr\u00eas vezes maior<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\ud83e\uddec Um colesterol que se herda, n\u00e3o se escolhe<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao contr\u00e1rio do LDL, que oscila conforme alimenta\u00e7\u00e3o, peso e uso de medicamentos, a lipoprote\u00edna(a) \u00e9 definida sobretudo pela heran\u00e7a familiar. Cerca de <strong>90% do valor de cada pessoa<\/strong> vem da gen\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cA lipoprote\u00edna(a) \u00e9 determinada principalmente pela gen\u00e9tica, e n\u00e3o \u00e9 algo que se corrija com dieta. A pessoa nasce com uma tend\u00eancia a t\u00ea-la mais alta ou mais baixa\u201d<\/em> , afirma o cardiologista <strong>Elzo Mattar<\/strong>, diretor do Departamento de Hipertens\u00e3o Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa origem gen\u00e9tica a torna, ao mesmo tempo, importante e dif\u00edcil de enfrentar: dieta, exerc\u00edcio e estatinas \u2014 os tr\u00eas pilares do controle do colesterol \u2014 praticamente n\u00e3o a alteram.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\ud83d\udcca O risco real: infarto, AVC e calcifica\u00e7\u00e3o da v\u00e1lvula<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O interesse pela lipoprote\u00edna(a) cresceu \u00e0 medida que estudos observacionais associaram seus n\u00edveis elevados a desfechos graves. Valores acima de cerca de 50 mg\/dL \u2014 o equivalente ao quartil mais alto da popula\u00e7\u00e3o \u2014 relacionam-se a um risco cerca de tr\u00eas vezes maior de infarto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m favorece a <strong>calcifica\u00e7\u00e3o da v\u00e1lvula a\u00f3rtica<\/strong>, um problema comum em idosos. E, por atuar de forma independente do LDL, a lipoprote\u00edna(a) funciona como um marcador adicional: duas pessoas com o mesmo colesterol &#8220;ruim&#8221; podem ter riscos cardiovasculares diferentes a depender desse valor.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\ud83d\udd2c Por que quase ningu\u00e9m dosou (at\u00e9 agora)<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante anos, medir a lipoprote\u00edna(a) fazia pouca diferen\u00e7a pr\u00e1tica: n\u00e3o havia tratamento espec\u00edfico, e o resultado raramente mudava a conduta. Esse cen\u00e1rio come\u00e7ou a mudar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diretriz de dislipidemia publicada em mar\u00e7o de 2026 pelo <strong>American College of Cardiology<\/strong> e pela <strong>American Heart Association<\/strong> passou a recomendar a dosagem da lipoprote\u00edna(a) <strong>ao menos uma vez na vida para todos os adultos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se de um <strong>exame de sangue simples, feito uma \u00fanica vez<\/strong>, j\u00e1 que o valor tende a permanecer est\u00e1vel ao longo da vida.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cA recomenda\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 que cada pessoa dose a lipoprote\u00edna(a) ao menos uma vez na vida, para conhecer o pr\u00f3prio risco cardiovascular\u201d<\/em> , afirma Mattar.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Descobrir uma lipoprote\u00edna(a) alta n\u00e3o significa, por ora, iniciar um rem\u00e9dio para baix\u00e1-la \u2014 mas serve de alerta para controlar com mais rigor tudo aquilo que se consegue mudar.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cQuem tem a lipoprote\u00edna(a) elevada precisa se cuidar mais: manter o LDL baixo, os triglic\u00e9rides controlados, a press\u00e3o e a glicemia em ordem, al\u00e9m de atividade f\u00edsica e alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada\u201d<\/em> , orienta o cardiologista.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\ud83d\udc8a Os primeiros rem\u00e9dios: a promessa do pelacarseno<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A lacuna terap\u00eautica pode estar perto do fim. Diversas empresas testam subst\u00e2ncias voltadas a reduzir a lipoprote\u00edna(a), e a mais avan\u00e7ada \u00e9 o <strong>pelacarseno<\/strong>, da Novartis \u2014 uma inje\u00e7\u00e3o mensal que, em estudos iniciais, reduziu a fra\u00e7\u00e3o em torno de <strong>80%<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O medicamento \u00e9 o foco do estudo <strong>Horizon<\/strong>, o primeiro grande ensaio a investigar se baixar a lipoprote\u00edna(a) de fato diminui infartos e AVCs \u2014 com mais de <strong>8 mil pacientes acompanhados por anos<\/strong>. Os resultados s\u00e3o esperados ao longo de 2026, com apresenta\u00e7\u00f5es aguardadas no <strong>Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC)<\/strong> , marcado para o fim de agosto, em Munique. Outras terapias, incluindo uma vers\u00e3o em comprimido, tamb\u00e9m est\u00e3o em teste.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mattar faz, por\u00e9m, uma ressalva que separa a promessa da comprova\u00e7\u00e3o: <strong>reduzir a lipoprote\u00edna(a) ainda n\u00e3o \u00e9 o mesmo que reduzir eventos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cProvavelmente baixar a lipoprote\u00edna(a) trar\u00e1 benef\u00edcio, mas ainda n\u00e3o temos estudos que confirmem isso. Pesquisas capazes de mostrar redu\u00e7\u00e3o de infartos e AVCs precisam de mais de cinco anos de acompanhamento\u201d<\/em> , explica.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 essa lacuna que os estudos das pr\u00f3ximas semanas come\u00e7am a preencher: mostrar n\u00e3o apenas o quanto os novos rem\u00e9dios derrubam a lipoprote\u00edna(a), mas se essa queda se traduz em menos infartos.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\ud83e\udded O que fazer agora?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por enquanto, a lipoprote\u00edna(a) \u00e9 um n\u00famero que vale a pena conhecer mesmo sem um rem\u00e9dio para mud\u00e1-lo \u2014 porque indica o quanto \u00e9 preciso proteger todo o resto. E, em quest\u00e3o de meses, a medicina pode descobrir se um novo cap\u00edtulo no controle do risco cardiovascular est\u00e1 prestes a come\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\ud83d\udd0d Lipoprote\u00edna(a) \u2014 o que voc\u00ea precisa saber<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Aspecto<\/th><th class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Informa\u00e7\u00e3o<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>O que \u00e9<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Lipoprote\u00edna(a) \u2014 uma fra\u00e7\u00e3o do colesterol determinada geneticamente<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Preval\u00eancia<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Cerca de 1 em cada 5 pessoas tem n\u00edveis elevados<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Fator gen\u00e9tico<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">90% do valor vem da gen\u00e9tica; n\u00e3o responde a dieta ou exerc\u00edcio<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Risco<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Valores &gt; 50 mg\/dL triplicam o risco de infarto<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Efeito das estatinas<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Praticamente n\u00e3o alteram a Lp(a)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Quando dosar<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Recomenda\u00e7\u00e3o: pelo menos uma vez na vida para todos os adultos<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Exame<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Exame de sangue simples, feito uma \u00fanica vez<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Tratamento atual<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Controle rigoroso de LDL, triglic\u00e9rides, press\u00e3o e glicemia<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Promessa terap\u00eautica<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Pelacarseno (inje\u00e7\u00e3o mensal) \u2014 redu\u00e7\u00e3o de ~80% em estudos iniciais<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Pr\u00f3ximos passos<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Resultados do estudo Horizon aguardados para o fim de agosto de 2026<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lipoprote\u00edna(a) \u00e9 determinada quase que inteiramente pela heran\u00e7a familiar e n\u00e3o responde a dieta ou exerc\u00edcio; 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