{"id":1097,"date":"2026-07-11T09:24:04","date_gmt":"2026-07-11T12:24:04","guid":{"rendered":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/?p=1097"},"modified":"2026-07-11T09:24:05","modified_gmt":"2026-07-11T12:24:05","slug":"mais-aceita-que-a-maconha-mais-letal-que-o-crack-por-que-o-alcool-e-a-droga-mais-perigosa-que-voce-consome-todos-os-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/2026\/07\/11\/mais-aceita-que-a-maconha-mais-letal-que-o-crack-por-que-o-alcool-e-a-droga-mais-perigosa-que-voce-consome-todos-os-dias\/","title":{"rendered":"Mais aceita que a maconha, mais letal que o crack: por que o \u00e1lcool \u00e9 a droga mais perigosa que voc\u00ea consome todos os dias"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>M\u00e9dica especialista em depend\u00eancia qu\u00edmica afirma que a bebida mata 2,6 milh\u00f5es por ano e est\u00e1 classificada pela OMS no mesmo grupo do tabaco e do amianto; enquanto o conhecimento sobre os riscos do cigarro transformou h\u00e1bitos, o \u00e1lcool segue imune a alertas \u2013 e a ind\u00fastria segue mirando os jovens<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"612\" height=\"408\" src=\"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-8.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1098\" srcset=\"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-8.png 612w, https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-8-300x200.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 612px) 100vw, 612px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cena se repete em milh\u00f5es de lares, bares e festas. Ta\u00e7as erguidas, brindes, o gelo tilintando \u2013 o \u00e1lcool est\u00e1 em todo lugar. \u00c9 a subst\u00e2ncia psicoativa mais aceita do mundo, legal, barata e promovida como sin\u00f4nimo de celebra\u00e7\u00e3o. Mas, para a medicina, h\u00e1 uma desconex\u00e3o brutal entre o papel cultural da bebida e o estrago que ela provoca no organismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poucas subst\u00e2ncias est\u00e3o t\u00e3o profundamente enraizadas no cotidiano quanto o \u00e1lcool. Ele est\u00e1 presente em comemora\u00e7\u00f5es, confraterniza\u00e7\u00f5es de trabalho, eventos esportivos, aeroportos e at\u00e9 nas refei\u00e7\u00f5es. Mas o \u00e1lcool contribui para milh\u00f5es de mortes em todo o mundo todos os anos e est\u00e1 associado ao c\u00e2ncer, \u00e0s doen\u00e7as hep\u00e1ticas, aos acidentes n\u00e3o intencionais, \u00e0 viol\u00eancia e, principalmente, \u00e0 depend\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O paradoxo da normalidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto o crack e a hero\u00edna s\u00e3o tratados como emerg\u00eancias de sa\u00fade p\u00fablica, o \u00e1lcool \u2013 que figura entre as drogas mais perigosas do mundo \u2013 segue imune. Em uma escala de danos, o \u00e1lcool aparece \u00e0 frente de hero\u00edna e crack. Ainda assim, <strong>2,3 bilh\u00f5es de pessoas<\/strong> consomem bebidas alco\u00f3licas regularmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00e9dica <strong>Emma Fenske<\/strong>, pesquisadora em Medicina das Depend\u00eancias da Universidade de Sa\u00fade e Ci\u00eancia do Oregon, atende regularmente pacientes cujo consumo afeta <strong>praticamente todos os sistemas do organismo<\/strong>. <em>&#8220;Muitas vezes, \u00e9 somente quando acabam internados que eles percebem o impacto da bebida em diferentes partes do corpo, e n\u00e3o apenas no f\u00edgado&#8221;<\/em> , afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>N\u00e3o existe quantidade &#8220;segura&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As evid\u00eancias mais recentes colocam em xeque a ideia do chamado &#8220;consumo seguro&#8221; de \u00e1lcool. Mesmo o consumo moderado oferece riscos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma revis\u00e3o da literatura publicada em 2021 constatou que consumir cerca de <strong>duas doses-padr\u00e3o<\/strong> praticamente dobra o risco de les\u00f5es em acidentes de tr\u00e2nsito e em outros tipos de acidentes. Epis\u00f3dios de consumo excessivo (binge drinking) podem aumentar esse risco de <strong>20 a 50 vezes<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade estima que <strong>2,6 milh\u00f5es de mortes por ano<\/strong> sejam atribu\u00eddas ao consumo de \u00e1lcool \u2013 o equivalente a <strong>quase uma em cada 20 mortes<\/strong> registradas no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O elo com o c\u00e2ncer que ningu\u00e9m quer ver<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora muitas pessoas reconhe\u00e7am os riscos da depend\u00eancia, elas ainda sabem <strong>pouco sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o consumo da bebida e o aumento do risco de c\u00e2ncer<\/strong>. A OMS classifica o \u00e1lcool como um <strong>carcin\u00f3geno do Grupo 1<\/strong> \u2013 a mesma categoria do tabaco e do amianto. Em 2025, um comunicado do cirurgi\u00e3o-geral dos Estados Unidos destacou que o \u00e1lcool aumenta o risco de <strong>pelo menos sete tipos de c\u00e2ncer<\/strong>: mama, colorretal, f\u00edgado, boca, es\u00f4fago e laringe, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo assim, <strong>menos da metade<\/strong> dos norte-americanos reconhece o \u00e1lcool como um fator de risco para o c\u00e2ncer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A luta silenciosa contra a ind\u00fastria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria do tabagismo oferece li\u00e7\u00f5es importantes. Em 1965, 42,4% da popula\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos fumava. Em 2022, esse percentual havia ca\u00eddo para 11,6%. Essa redu\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi resultado de uma \u00fanica medida, mas de d\u00e9cadas de ac\u00famulo de evid\u00eancias cient\u00edficas, campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o, r\u00f3tulos de advert\u00eancia, restri\u00e7\u00f5es \u00e0 publicidade e aumento de impostos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00e1lcool, por\u00e9m, segue em outra rota. Ele continua muito mais enraizado na vida social do que o tabagismo atualmente. Enquanto isso, a ind\u00fastria investe pesado em publicidade que atrai especialmente <strong>o p\u00fablico jovem<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Dr. <strong>Mehmet Oz<\/strong>, administrador dos Centros de Servi\u00e7os do Medicare e do Medicaid, caracterizou o \u00e1lcool como um &#8220;lubrificante social&#8221;, destacando seu papel em aproximar as pessoas. A m\u00e9dica Emma Fenske discorda: <em>&#8220;Declara\u00e7\u00f5es como essa s\u00e3o limitadas, pois priorizam efeitos sociais de curto prazo e ignoram problemas mais sutis e duradouros, como a depend\u00eancia&#8221;<\/em> .<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A ilus\u00e3o da normalidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitas pessoas presumem que, se uma subst\u00e2ncia \u00e9 legal, comum, amplamente aceita e at\u00e9 incentivada socialmente, ela tamb\u00e9m deve ser segura. <em>&#8220;No entanto, a hist\u00f3ria da sa\u00fade p\u00fablica mostra que essas percep\u00e7\u00f5es podem \u2013 e devem \u2013 mudar&#8221;<\/em> , conclui a m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto a ci\u00eancia avan\u00e7a e as evid\u00eancias se acumulam, o \u00e1lcool segue celebrado em cada esquina. A pergunta que fica \u00e9: quanto tempo levar\u00e1 at\u00e9 que a sociedade encare a bebida com o mesmo rigor que aprendeu a olhar para o cigarro?<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\ud83d\udd0d O que a ci\u00eancia diz sobre os perigos do \u00e1lcool (em n\u00fameros)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Indicador<\/th><th class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Dado<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Pessoas que consomem \u00e1lcool no mundo<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">2,3 bilh\u00f5es<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Mortes anuais atribu\u00eddas ao \u00e1lcool<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">2,6 milh\u00f5es (1 em cada 20 mortes)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Classifica\u00e7\u00e3o da OMS<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Carcin\u00f3geno Grupo 1 (mesmo grupo do tabaco e do amianto)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Tipos de c\u00e2ncer associados<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Pelo menos 7: mama, colorretal, f\u00edgado, boca, es\u00f4fago, laringe<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Risco de les\u00f5es (2 doses)<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Dobra o risco de acidentes<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Risco de les\u00f5es (binge drinking)<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Aumenta de 20 a 50 vezes<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\"><strong>Compara\u00e7\u00e3o com tabaco (EUA)<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-left\" data-align=\"left\">Queda de 42,4% (1965) para 11,6% (2022)<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e9dica especialista em depend\u00eancia qu\u00edmica afirma que a bebida mata 2,6 milh\u00f5es por ano e est\u00e1 classificada pela OMS no mesmo grupo do tabaco e do amianto; enquanto o conhecimento sobre os riscos do cigarro transformou h\u00e1bitos, o \u00e1lcool segue imune a alertas \u2013 e a ind\u00fastria segue mirando os jovens A cena se repete [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1098,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-1097","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1097","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1097"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1097\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1099,"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1097\/revisions\/1099"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1098"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1097"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1097"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/capitalsaudeebemestar.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1097"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}