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Vírus Nipah: Ministério da Saúde afasta risco de surto no Brasil pós-Carnaval e explica cenário

Pasta emite comunicado para tranquilizar população após registros da doença na Índia e Bangladesh; doença não tem casos no país e OMS não recomenda restrições

Em meio ao período pós-Carnaval, quando o fluxo de viajantes internacionais ainda é elevado, o Ministério da Saúde emitiu um comunicado para esclarecer a população sobre o vírus Nipah. A preocupação surgiu após a divulgação de novos casos da doença na Índia e em Bangladesh, mas a pasta é enfática: não há registros da infecção no Brasil e, até o momento, não há motivo para alarme.

A nota oficial, divulgada no último sábado (15), busca conter especulações sobre uma possível “explosão” de casos no país após as festas de Momo. O Ministério informa que mantém ativos seus protocolos de vigilância epidemiológica e monitora de perto os desdobramentos internacionais, em linha com as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) .

Cenário Internacional: Surtos Localizados e Sob Controle

O alerta global acendeu-se após duas situações distintas no sul da Ásia:

  1. Índia: Dois profissionais de saúde foram infectados. As autoridades locais testaram 198 contatos próximos, e todos os resultados foram negativos, indicando que a cadeia de transmissão foi contida.
  2. Bangladesh: Uma mulher entre 40 e 50 anos morreu em janeiro após apresentar sintomas graves. Investigações apontam que a infecção pode ter relação com o consumo de seiva crua de tamareira, um alimento previamente associado a surtos da doença no país. Bangladesh registra casos quase anuais desde 2001, com quatro mortes confirmadas em 2025.

Apesar desses episódios, a OMS não recomenda qualquer tipo de restrição de viagens ou comércio com as regiões afetadas, classificando os surtos como localizados e de baixo risco de disseminação global.

O que é o Vírus Nipah?

Para compreender o motivo da atenção internacional, é necessário entender a natureza do vírus. O Nipah é um patógeno zoonótico raro, mas de alta gravidade, identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de porcos na Malásia.

Principais Características:

  • Reservatório Natural: Morcegos frugívoros (que comem frutas) são os hospedeiros naturais do vírus.
  • Transmissão: Ocorre principalmente de animais para humanos (por contato com morcegos, porcos infectados ou consumo de alimentos contaminados, como a seiva da tamareira). A transmissão entre pessoas é possível, mas considerada limitada.
  • Período de Incubação: Varia de 4 a 14 dias.
  • Sintomas Iniciais: Febre alta, dores de cabeça, náuseas, vômitos e problemas respiratórios.
  • Evolução Grave: Pode levar a complicações severas como pneumonia e encefalite (inflamação cerebral), que se manifesta com sonolência, desorientação e convulsões.
  • Taxa de Letalidade: Estimada entre 40% e 75% , dependendo da capacidade de resposta dos serviços de saúde locais e da cepa do vírus.
  • Tratamento e Prevenção: Atualmente, não há vacina ou tratamento antiviral específico aprovado. O manejo clínico é focado em cuidados intensivos de suporte. O controle de surtos depende de isolamento de casos e monitoramento de contatos.

Posição das Autoridades Brasileiras

Apesar da gravidade da doença em seus surtos históricos, o Ministério da Saúde reforça que o Brasil não possui casos autóctones ou importados do vírus Nipah. A pasta destaca que a população deve manter a tranquilidade e buscar informações exclusivamente em canais oficiais, evitando alarmismo.

As recomendações para quem vai viajar para o exterior seguem as mesmas práticas de higiene para qualquer destino: evitar contato com animais doentes, não consumir alimentos de procedência duvidosa e procurar atendimento médico imediato ao surgirem sintomas compatíveis após o retorno.

A vigilância sanitária em aeroportos e portos brasileiros segue os protocolos padrão da OMS, mas não há triagem específica para o Nipah neste momento, uma vez que a classificação de risco da doença para o país permanece baixa.

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