Descoberta na Espanha elimina tumores de pâncreas em camundongos com terapia tripla inédita
Uma pesquisa realizada no Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO) trouxe um avanço que pode reescrever as possibilidades de tratamento para um dos cânceres mais letais: o de pâncreas. Cientistas conseguiram eliminar completamente e de forma permanente tumores pancreáticos em camundongos utilizando uma combinação tripla de medicamentos. Os resultados, que provocaram a regressão dos tumores em três a quatro semanas sem efeitos colaterais tóxicos relevantes, foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e representam uma estratégia promissora para superar a resistência ao tratamento, principal obstáculo no combate à doença.

O estudo partiu de um problema conhecido: embora existam medicamentos de 2021 que ataquem o gene KRAS – principal causador molecular deste tipo de câncer –, sua eficácia é modesta e temporária. Após alguns meses, os tumores desenvolvem resistência e voltam a crescer. A equipe do CNIO, liderada pelo pesquisador Mariano Barbacid, propôs uma solução ousada: atacar a via do KRAS não em um, mas em três pontos diferentes simultaneamente, impedindo que o câncer encontre uma rota de escape.
A Estratégia da “Tríplice Bloqueio”
A combinação vencedora incluiu:
- Daraxonrasib: Um inibidor experimental do KRAS.
- Afatinibe: Um medicamento já aprovado para alguns tipos de câncer de pulmão, que bloqueia um receptor essencial para o crescimento tumoral.
- SD36: Um “degradador de proteínas” que elimina uma molécula-chave (MYC) para a sobrevivência das células cancerígenas.
Esta terapia tripla foi testada com sucesso em três modelos diferentes de camundongos, induzindo uma “regressão robusta e duradoura” dos tumores e, crucialmente, prevenindo o aparecimento de resistência. Os autores Mariano Barbacid, Vasiliki Liaki e Sara Barrambana destacam que a combinação foi bem tolerada pelos animais, um dado essencial para futuras aplicações.
Um Marco Científico, mas Ainda Não uma Cura para Pacientes
Apesar do entusiasmo gerado pelos resultados, os pesquisadores são enfáticos ao colocar a descoberta em perspectiva. O estudo foi realizado em modelos animais (camundongos) e a terapia ainda não foi testada em seres humanos.
“O caminho para otimizar a combinação tripla descrita aqui para uso em ambiente clínico não será fácil”, avaliou Barbacid. O processo de translação – levar uma descoberta do laboratório para a farmácia – é longo, complexo e requer novos testes de segurança e eficácia em pessoas. No entanto, o líder do Grupo de Oncologia Experimental do CNIO acredita que “esses resultados podem abrir caminho para novas opções terapêuticas e melhorar o prognóstico clínico de pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático em um futuro não muito distante”.
Um Farol de Esperança Contra um Inimigo Formidável
O câncer de pâncreas, particularmente o adenocarcinoma ductal, é notório por seu diagnóstico frequentemente tardio e opções de tratamento limitadas, resultando em baixas taxas de sobrevida. A nova estratégia do CNIO, focada em um ataque molecular múltiplo e coordenado, oferece uma nova direção científica. Se futuros estudos confirmarem sua segurança e eficácia em humanos, essa abordagem pode se tornar uma arma fundamental para transformar o panorama de uma doença hoje devastadora.
- Resultado Promissor em Animais: Pesquisadores espanhóis eliminaram totalmente tumores de pâncreas em camundongos usando três medicamentos combinados.
- Mecanismo Inovador: A terapia ataca o câncer simultaneamente em três frentes moleculares diferentes, bloqueando a principal causa (gene KRAS) e vias de sobrevivência das células tumorais.
- Superação da Resistência: A grande vitória foi impedir que os tumores desenvolvessem resistência ao tratamento, problema comum nas terapias atuais.
- Ainda Não para Humanos: É crucial entender que o estudo foi feito em camundongos. A terapia não está disponível e ainda não foi testada em pacientes. O caminho até a clínica é longo.
- Novo Horizonte de Pesquisa: A descoberta abre um caminho científico totalmente novo para o desenvolvimento de futuros tratamentos mais eficazes contra o câncer de pâncreas.




