Vírus Nipah: Surto na Índia coloca Sudeste Asiático em alerta e reacende temor por doença sem cura
Um novo surto do vírus Nipah, um dos patógenos mais letais conhecidos pela ciência, acendeu um alerta vermelho no Sudeste Asiático. Após a confirmação de casos em profissionais de saúde na cidade indiana de Calcutá, capital do estado de Bengala Ocidental, nações vizinhas como Tailândia, Vietnã e Taiwan começaram a implementar medidas rigorosas de quarentena e vigilância em aeroportos para viajantes vindos da região afetada. A ação reflete o temor diante de um vírus altamente contagioso, para o qual não existe vacina ou tratamento específico, e cuja taxa de mortalidade pode chegar a assustadores 75%.

O surto atual teve origem em um hospital de Calcutá, onde a infecção foi detectada em cinco profissionais de saúde, incluindo médicos e enfermeiros, sendo que duas das enfermeiras encontram-se em estado grave. As autoridades suspeitam de transmissão intra-hospitalar, uma via de contágio preocupantemente comum em surtos anteriores de Nipah. O governo local ordenou o isolamento domiciliar de cerca de 100 pessoas que tiveram contato com os infectados.
Um Inimigo Silencioso e Letal: A Ameaça do Nipah
O vírus Nipah (NiV) é um zoonótico cujo reservatório natural são os morcegos frugívoros. A transmissão para humanos ocorre principalmente pelo consumo de alimentos contaminados com saliva ou urina desses animais, como seiva de palma crua ou frutas parcialmente comidas. No entanto, o grande perigo reside em sua capacidade de transmissão direta entre pessoas, especialmente em ambientes de cuidados de saúde ou em contatos familiares próximos, através de secreções.
O período de incubação varia de 4 a 14 dias. Os sintomas iniciais são inespecíficos e incluem febre, dor de cabeça intensa, mialgia, vômitos e dor de garganta. A doença pode evoluir rapidamente para uma encefalite aguda (inflamação cerebral grave), com sonolência, desorientação, confusão mental, convulsões e progressão para o coma em 24 a 48 horas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o Nipah como uma doença de “necessidade urgente de pesquisa e desenvolvimento acelerados”, dada a falta de ferramentas médicas para combatê-lo.
Resposta Regional: Quarentenas e Vigilância Reforçada
Diante do risco, países da região, que recebem um fluxo significativo de turistas indianos, estão agindo para tentar conter uma possível importação do vírus:
- Tailândia: Reforçou as medidas de quarentena nos principais aeroportos para viajantes que chegam de Bengala Ocidental.
- Vietnã: O Ministério da Saúde emitiu um alerta recomendando que as pessoas evitem viagens não essenciais para as áreas afetadas.
- Taiwan: Estuda classificar o Nipah como uma “doença infecciosa de Categoria 5” em seu sistema, o que acionaria protocolos de controle rigorosos.
O governo indiano, por sua vez, tem pedido calma e vigilância à população, recomendando que evitem comer frutas que possam ter sido contaminadas por morcegos e que não toquem em carcaças de animais.
Histórico de Surtos e a Sombra de uma Nova Pandemia
O primeiro surto de Nipah foi identificado em 1999 na Malásia, entre criadores de porcos. Desde então, a Índia e Bangladesh têm sido os países mais afetados, com surtos recorrentes e letais. Apenas em 2025, o estado indiano de Kerala registrou quatro infecções, com duas mortes.
A atual emergência em Calcutá ressalta a natureza imprevisível e devastadora de vírus zoonóticos com alto potencial epidêmico. Enquanto o mundo ainda lida com as sequelas da Covid-19, o surto de Nipah serve como um lembrete cru de que a próxima grande ameaça à saúde global pode não ser um coronavírus, mas um patógeno que, silenciosamente, circula em morcegos e salta esporadicamente para humanos, sempre com consequências dramáticas. A preparação e a cooperação sanitária internacional não são mais uma opção, mas uma necessidade de sobrevivência.
- Letalidade Extrema: O vírus Nipah é um dos mais mortais que se conhece, com taxa de fatalidade que varia de 40% a 75%. Não há vacina nem tratamento específico.
- Transmissão Dupla: A infecção ocorre pelo consumo de alimentos contaminados por morcegos ou, mais perigosamente, por transmissão direta entre pessoas (contato com secreções).
- Sinais de Alerta: Os primeiros sintomas são febre e dor de cabeça, mas a deterioração é rápida. Qualquer sinal neurológico como sonolência excessiva ou confusão mental exige busca imediata por atendimento médico.
- Áreas de Risco: Surtos têm sido recorrentes no Sudeste Asiático, particularmente em Bangladesh e em estados indianos como Bengala Ocidental e Kerala.
- Prevenção: Em áreas de risco, evite consumo de seiva de palma crua ou frutas que possam ter sido mordidas por morcegos, e sempre pratique higiene rigorosa ao cuidar de doentes.




