Polilaminina: A esperança da ciência brasileira para lesões na medula entra em fase de testes; saiba como pacientes podem se cadastrar
Medicamento desenvolvido pela UFRJ em parceria com o laboratório Cristália é aplicado em caráter experimental e já apresenta resultados animadores na recuperação de movimentos

A ciência brasileira acaba de dar um passo significativo na busca por tratamentos para lesões na medula espinhal. A polilaminina, um medicamento inovador desenvolvido ao longo de duas décadas pela bióloga Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) , em parceria com o Laboratório Cristália, está em fase de testes clínicos e já registra casos de recuperação de movimentos em pacientes.
A substância é uma versão produzida em laboratório da laminina, uma proteína natural do corpo humano que atua na regeneração das conexões nervosas. A ideia é que, aplicada diretamente no local da lesão medular, ela estimule os neurônios a “criarem novas rotas”, contornando o dano e restabelecendo a comunicação entre o cérebro e o corpo.
Uso Compassivo: A Porta de Entrada para o Tratamento ⚖️
Como ainda não possui registro definitivo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) , a polilaminina está sendo disponibilizada por meio do chamado “uso compassivo”. Trata-se de uma autorização especial da Agência que permite o acesso a medicamentos experimentais por pacientes com doenças graves e sem alternativas terapêuticas satisfatórias.
Nesta fase inicial (Estudo Clínico de Fase I), o foco principal é comprovar a segurança do medicamento. Os protocolos atuais são rigorosos:
- Público-alvo: Pacientes com lesões agudas (preferencialmente até 72 horas após o trauma) ou subagudas (até poucas semanas). Para lesões crônicas (acima de 90 dias), ainda não há dados que permitam recomendar o uso, e os estudos prosseguem em fase experimental com animais.
- Aplicação: O medicamento é administrado em dose única, diretamente na área da lesão, durante um procedimento cirúrgico.
- Recuperação: A eficácia da polilaminina está diretamente ligada a um processo intensivo de reabilitação com fisioterapia e uma equipe multiprofissional.
Casos que Reacendem a Esperança 🙏
Dois casos recentes ganharam repercussão e ilustram o potencial do tratamento.
Em Mato Grosso do Sul, o jovem militar Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, tornou-se o primeiro paciente do estado a receber a polilaminina. Ele ficou tetraplégico após um disparo acidental de arma de fogo em outubro de 2025, que causou uma grave lesão na medula cervical. A cirurgia, realizada no dia 21 de janeiro no Hospital Militar de Campo Grande, durou cerca de 40 minutos e foi considerada “um sucesso” pela equipe médica. Luiz já retomou a fisioterapia, e sua evolução é acompanhada de perto pelos pesquisadores da UFRJ.
Outro caso que viralizou nas redes sociais foi o de Pedro Rolim. Com paraplegia devido a uma lesão na vértebra T12, ele voltou a apresentar movimentos apenas 15 dias após receber a dose do medicamento, no dia 2 de fevereiro.
O Caminho Legal e Seguro para o Cadastro 📞
Diante da comoção e da esperança geradas, é fundamental que pacientes e familiares busquem informações apenas pelos canais oficiais para evitar golpes e frustrações. A polilaminina não está à venda, e qualquer pessoa ou site que cobre pelo medicamento ou prometa facilidades está agindo ilegalmente.
O processo para solicitar o acesso é o seguinte:
- Contato Oficial: O primeiro passo deve ser dado pelo hospital onde o paciente está internado ou pelo médico responsável. Eles devem entrar em contato com o Laboratório Cristália por meio dos canais oficiais:
- Telefone: 0800 701 1918 (SAC)
- E-mail: sac@cristalia.com.br
- Site oficial: www.cristalia.com.br
- Avaliação e Documentação: A equipe de pesquisa do Cristália fornecerá todas as orientações e a documentação necessária, que deve ser preenchida de acordo com os requisitos da legislação da Anvisa.
- Critérios de Elegibilidade: O paciente precisará se enquadrar nos critérios definidos pelos pesquisadores, principalmente o tempo da lesão e a estabilidade clínica para ser submetido à cirurgia.
Importante: Nesta fase inicial de testes, todas as despesas relacionadas ao processo de acesso e aplicação da polilaminina são custeadas pelo Laboratório Cristália.
Um Alerta Necessário da Comunidade Científica
O Laboratório Cristália e a pesquisadora Tatiana Sampaio fazem um alerta público, especialmente para pessoas com lesões crônicas (há mais de 90 dias):
“Até o momento, os dados disponíveis não permitem dizer que o uso em pessoas com lesões crônicas é seguro e eficaz. Assim, é importante destacar que, neste momento, não recomendamos o uso em pessoas com lesões crônicas. Sabemos da expectativa desse público e, caso haja inclusão em estudos futuros, essa informação será divulgada oficialmente por nossos canais.”
A polilaminina representa um avanço histórico da ciência nacional, mas é um tratamento em construção. A esperança é legítima, mas deve caminhar lado a lado com a informação responsável e o cumprimento dos rigorosos protocolos científicos e regulatórios.




