NOTÍCIAS CIENTÍFICAS

🍹 Refrigerantes zero e risco de gordura no fígado – o que dizem os estudos científicos

Embora muitas pessoas acreditem que refrigerantes zero açúcar são escolhas saudáveis por terem poucas ou nenhuma caloria, evidências científicas recentes indicam que eles podem não ser inofensivos para o fígado.

🔬 O que é doença hepática gordurosa não alcoólica (MASLD/NAFLD)?

doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD), atualmente chamada de MASLD (Metabolic Dysfunction-Associated Steatotic Liver Disease), é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no fígado em pessoas que consomem pouco ou nenhum álcool. Esse acúmulo pode evoluir para inflamação crônica, fibrose, cirrose e até câncer de fígado. 

📊 Dados de um grande estudo epidemiológico sobre refrigerantes

Um estudo robusto apresentado na Semana Europeia de Gastroenterologia (UEG Week) em 2025 acompanhou cerca de 123 mil adultos por mais de 10 anos e comparou o consumo de bebidas adoçadas com açúcar tradicional e bebidas adoçadas artificialmente (incluindo refrigerantes zero/diet). 

Os principais achados foram:

✅ Consumo diário de refrigerante zero ou diet — mais de cerca de 250 ml por dia (aproximadamente uma lata) associou-se a um aumento de até 60% no risco de desenvolver MASLD, em comparação com quem não consumia essas bebidas. 

✅ Refrigerantes açucarados tradicionais também elevaram o risco, mas em cerca de 50% neste mesmo estudo. 

✅ No mesmo acompanhamento, 1.178 participantes desenvolveram MASLD e 108 morreram por causas hepáticas, indicando que o impacto não se limita apenas ao acúmulo de gordura no fígado, mas pode estar relacionado a desfechos clínicos graves. 

📉 Mecanismos biológicos sugeridos

Pesquisadores propõem algumas possíveis explicações para esses achados, mesmo em bebidas sem calorias:

🧬 Alteração do microbioma intestinal:
Os adoçantes artificiais podem promover disbiose intestinal — desequilíbrio das bactérias benéficas — que pode levar a processos inflamatórios e aumentar o transporte de substâncias pró-inflamatórias ao fígado. 

🍬 Resposta à insulina e sensação de fome:
Apesar de não conter açúcar, alguns estudos sugerem que adoçantes artificiais podem afetar o metabolismo da glicose e a secreção de insulina, influenciando resistência à insulina — um dos principais motores da esteatose hepática. 

🍽️ Comportamento alimentar associado:
Pessoas que consomem refrigerantes zero com frequência podem compensar com mais alimentos ultraprocessados ou ricos em carboidratos, o que também contribui para acúmulo de gordura no fígado. Muitos estudos observacionais apontam para esse padrão comportamental, ainda que não provem causalidade direta. 

🧠 Importante: interpretação cautelosa

Nem todos os estudos concordam completamente sobre o papel dos refrigerantes zero por si só no desenvolvimento da doença hepática. Alguns trabalhos anteriores, como certas análises do Framingham Heart Study, não observaram associação significativa entre refrigerante diet e gordura no fígado quando fatores como índice de massa corporal foram ajustados. 

Isso significa que:

🔹 A relação existe em muitas análises observacionais, mas ainda não é totalmente comprovada como causal em todos os contextos.
🔹 Há necessidade de mais estudos clínicos e experimentais para confirmar os mecanismos biológicos e independência dessa associação.

📌 Conclusão científica atual

✔️ Dados de grandes estudos epidemiológicos recentes sugerem que o consumo diário de refrigerante zero ou diet pode estar associado a um risco aumentado em até 60% de desenvolver gordura no fígado (MASLD)
✔️ Isto desafia a ideia de que essas bebidas são escolhas neutras ou “saudáveis” apenas por não conterem açúcar. 
✔️ Mecanismos potenciais incluem alterações no microbioma, resposta à insulina e comportamentos alimentares associados, mas ainda são objeto de investigação científica contínua. 


📚 Referências científicas

  • Estudo apresentado na UEG Week 2025 — relação entre bebidas adoçadas e MASLD (até 60% maior risco
  • Revisões sobre microbiota e adoçantes artificiais relacionadas à doença hepática 
  • Análises observacionais clássicas sobre bebidas e esteatose hepática (Framingham e outras) 

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