Março Azul-Marinho: Especialista Explica Fatores de Risco, Sinais de Alerta e a Importância da Prevenção do Câncer Colorretal

Em entrevista, oncologista do ICESP detalha como alimentação, sedentarismo e histórico familiar influenciam no desenvolvimento da doença e reforça: diagnóstico precoce pode levar à cura em mais de 90% dos casos
O terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil (atrás apenas do de mama e do de próstata) ganha um holofote necessário neste mês de março. A campanha Março Azul-Marinho chega para quebrar tabus, estimular a conversa sobre exames preventivos e alertar a população sobre o câncer colorretal, uma doença que, na maioria das vezes, pode ser prevenida ou curada quando detectada em estágios iniciais.
Para aprofundar o tema, o ICL Notícias entrevistou a oncologista Carolina Ribeiro Victor, especialista em tumores gastrointestinais que atua no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e na Oncologia D’Or. Ela explica desde o desenvolvimento da doença até os hábitos que podem reduzir o risco, passando pelos sinais que jamais devem ser ignorados.
O Início Silencioso: Dos Pólipos ao Câncer 🔬
Antes de mais nada, é preciso entender o que é a doença. O cólon (intestino grosso) e o reto (a parte final do intestino) podem desenvolver pequenas lesões chamadas pólipos, que são como “verrugas” na parede do órgão.
“Na maioria das vezes, o câncer começa como pequenos pólipos. Eles geralmente são benignos no início, mas alguns podem crescer ao longo dos anos e se transformar em câncer. Por isso a colonoscopia é tão importante: muitas vezes conseguimos identificar e retirar esses pólipos antes que eles se tornem um câncer” , explica a médica.
Fatores de Risco: O Que Aumenta as Chances? ⚠️
A oncologista destaca que tanto o estilo de vida quanto a genética podem influenciar no desenvolvimento da doença. Os principais fatores incluem:
Hábitos de risco:
· Consumo frequente de embutidos (salsicha, bacon, linguiça, presunto) e alimentos ultraprocessados.
· Sedentarismo e obesidade.
· Tabagismo e consumo excessivo de álcool.
Histórico familiar:
Pessoas com parentes próximos que tiveram câncer de intestino, principalmente em idade jovem, devem redobrar a atenção e, muitas vezes, iniciar o rastreamento mais cedo.
Sinais que Merecem Atenção (Mesmo os Sutis) 👀
O câncer colorretal pode se desenvolver de forma silenciosa por anos. No entanto, alguns sintomas persistentes são bandeiras vermelhas:
· Sangue nas fezes (o sinal mais clássico, mas não o único).
· Mudança persistente no funcionamento do intestino: diarreia ou prisão de ventre que duram semanas.
· Dor abdominal frequente.
· Sensação de evacuação incompleta (como se o intestino não tivesse esvaziado).
· Perda de peso sem explicação.
· Cansaço ou anemia (que podem indicar sangramento oculto).
“Qualquer alteração que persista por algumas semanas deve ser avaliada por um médico” , alerta Carolina Victor.
Rastreamento: A Partir de Que Idade? 🗓️
Este é um ponto crucial e que tem mudado nos últimos anos, dada a incidência crescente em pessoas mais jovens.
· Recomendação do Ministério da Saúde (Brasil): Iniciar o rastreamento (exames em pessoas sem sintomas) a partir dos 50 anos.
· Recomendações internacionais: Diante do aumento de casos em jovens, muitas sociedades médicas passaram a recomendar o início aos 45 anos.
A ressalva fundamental: Se surgirem sintomas persistentes, a investigação deve começar independentemente da idade.
A colonoscopia é o exame padrão-ouro, pois permite visualizar todo o intestino por dentro e, durante o procedimento, já retirar pólipos suspeitos, prevenindo o desenvolvimento do câncer.
Tratamento e Cura: A Janela de Oportunidade
“Sim, o câncer colorretal tem cura, principalmente quando é diagnosticado cedo” , afirma a oncologista.
Quando identificado nas fases iniciais, as chances de cura são altíssimas (podendo chegar a mais de 90%), muitas vezes com tratamento exclusivamente cirúrgico. Já nos casos avançados, o tratamento é mais complexo, podendo envolver quimioterapia, radioterapia e outras terapias.
Prevenção no Prato e no Dia a Dia 🥗
A mensagem final da especialista é de empoderamento através da informação e da mudança de hábitos:
1. Alimentação equilibrada: Priorizar frutas, verduras e alimentos ricos em fibras.
2. Reduzir ultraprocessados: Cortar ou diminuir drasticamente embutidos e industrializados.
3. Movimentar-se: Praticar atividade física regularmente.
4. Peso saudável: Manter o peso sob controle.
5. Evitar tabaco e excesso de álcool.
6. Fazer os exames de rastreamento na idade recomendada.
“O câncer de intestino pode ser prevenido e tem grandes chances de cura quando descoberto cedo. Não devemos ignorar sintomas. Informação e prevenção ainda são as melhores ferramentas para salvar vidas” , conclui Carolina Victor.
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🔍 O que Você Precisa Saber sobre Câncer Colorretal
Aspecto Informação-Chave
O que é? Tumor que se desenvolve no intestino grosso (cólon) ou reto, geralmente a partir de pólipos.
Principais Fatores de Risco Alimentação rica em ultraprocessados/embutidos, sedentarismo, obesidade, tabagismo, álcool e histórico familiar.
Sinais de Alerta Sangue nas fezes, mudança no ritmo intestinal, dor abdominal, perda de peso sem causa, anemia.
Idade para Rastreamento A partir de 45-50 anos (para quem não tem sintomas).
Exame Fundamental Colonoscopia (permite ver e retirar pólipos).
Chance de Cura Muito alta (acima de 90%) se diagnosticado precocemente.

