A Epidemia Silenciosa: Três em Cada Dez Brasileiros Lutam Contra a Insônia, Revela Pesquisa Inédita
Enquanto o Brasil enfrenta uma epidemia visível de obesidade e doenças crônicas, uma crise silenciosa e igualmente prejudicial à saúde pública ganha contornos alarmantes: a falta de um sono reparador. Dados inéditos do Ministério da Saúde, coletados pelo Sistema de Vigilância de Fatores de Risco (Vigitel), revelam que três em cada dez brasileiros adultos – ou aproximadamente 31,7% da população das capitais – apresentam pelo menos um dos sintomas clássicos da insônia. O levantamento, referente a 2024, expõe uma realidade onde o descanso noturno é interrompido por preocupações, ansiedade e hábitos de vida incompatíveis com a saúde do sono.

Os relatos são comuns e ecoam em milhões de lares. “Hoje em dia, eu diria que é muito raro eu ter uma boa noite de sono”, desabafa o vendedor Alberto Gomes. A pedagoga Bruna Schatetock compartilha da mesma angústia: “Quando eu deito na cama, parece que o sono desaparece”. A pesquisa buscou identificar especificamente três problemas nas últimas quatro semanas: dificuldade para pegar no sono, despertar no meio da noite com dificuldade para retornar, ou acordar antes do desejado sem conseguir dormir novamente.
A Linha Tênue entre um Mau Dia e um Transtorno Crônico
A Dra. Andrea Bacelar, vice-presidente da Academia Brasileira do Sono do Rio de Janeiro, explica a diferença entre um desconforto passageiro e um problema de saúde. “Para a gente classificar insônia, o indivíduo tem que ter dificuldade para pegar no sono, acordar de madrugada e/ou despertar precocemente. Para a gente definir transtorno, quer dizer, isso é crônico, isso tem que acontecer três vezes por semana por pelo menos três meses“, esclarece.
Além da insônia, outro dado preocupa: 20% dos adultos dormem menos de seis horas por dia, como é o caso da costureira Maria Aquino. “Eu durmo 1h, 2h, mas eu acordo às 4h”, relata. A Dra. Andrea Bacelar alerta para os riscos dessa privação crônica: “Menos do que seis horas de sono, eu não consigo restaurar a maioria dos sistemas. Aumenta muito a chance de eu desenvolver alguma doença”. O sono insuficiente está intimamente ligado ao agravamento da epidemia de obesidade, diabetes e hipertensão, também destacada no mesmo estudo do Vigitel.
Higiene do Sono: Caminhos para Reconquistar a Noite
Apesar do cenário preocupante, especialistas apontam que é possível recuperar o controle sobre o sono com mudanças de hábitos, conhecidas como “higiene do sono”. Manhor horários regulares para dormir e acordar, reduzir o consumo de cafeína, especialmente no período da tarde e noite, e praticar exercícios físicos regularmente (sem ser muito perto da hora de dormir) são medidas fundamentais.
A Dra. Andrea Bacelar também recomenda uma técnica simples e eficaz para acalmar a mente acelerada: “As preocupações que estão vindo ali quando você está deitada sozinha, pegue um papelzinho e anote. No momento em que eu anoto, eu já consigo desacelerar as ondas cerebrais para me entregar e conseguir dormir melhor”. A expositora Cristiane Marta Pinto de Souza encontrou sua própria válvula de escape no bordado. “Eu gosto de bordar, e bordado a gente se acalma bordando”, conta, destacando a importância de gerenciar o estresse.
O novo dado sobre o sono, incorporado pela primeira vez ao Vigitel, obriga o Sistema Único de Saúde a olhar para um aspecto até então negligenciado do cuidado integral. O próprio ministro Alexandre Padilha já sinalizou que as equipes da atenção primária passarão a questionar rotineiramente a qualidade do sono dos pacientes, reconhecendo-o como um vital sinal vital da saúde pública.
- Problema Nacional: A insônia atinge 31,7% dos adultos brasileiros nas capitais, com maior prevalência entre as mulheres.
- Sono Curto é Risco: Dormir menos de 6 horas por noite de forma crônica (como fazem 20% dos adultos) impede a restauração do corpo e aumenta o risco de diversas doenças.
- Definição de Insônia Crônica: Considera-se um transtorno quando os sintomas (dificuldade para dormir, despertar noturno ou precoce) ocorrem pelo menos 3 vezes por semana, por 3 meses seguidos.
- Consequências Graves: A privação de sono está diretamente associada ao aumento da obesidade, diabetes, hipertensão e piora da saúde mental.
- Há Solução: Estabelecer uma rotina, limitar cafeína, fazer exercícios e técnicas para gerenciar a ansiedade (como anotar preocupações) podem ajudar a reconquistar um sono de qualidade.




