Riso, Choro ou Formigamento: Estudo Revela que Reações Inesperadas no Orgasmo são Normais e Saudáveis
Para muitas mulheres, o clímax sexual pode vir acompanhado não apenas de prazer, mas de uma torrente inesperada de sensações: crises de riso, lágrimas, dor de cabeça ou até mesmo espirros. Um estudo pioneiro da Universidade George Washington, nos Estados Unidos, buscou mapear e, principalmente, normalizar essas experiências. A pesquisa, que ouviu cerca de 3.800 mulheres, confirma que o chamado fenômeno periorgásmico — reações físicas ou emocionais que ocorrem durante ou logo após o orgasmo — é um evento real, mais comum do que se imagina e, crucialmente, não é um indicador de qualquer problema de saúde sexual.

O estudo, divulgado através de um questionário anônimo aplicado após um vídeo educativo nas redes sociais, identificou que 86 participantes vivenciam o fenômeno. Os dados revelam um panorama diverso: 88% relataram respostas predominantemente emocionais, como choro, tristeza passageira pós-sexo ou ataques de riso. Já 61% descreveram sintomas físicos, e 21% experienciaram uma combinação de ambos. A maioria das mulheres afirmou que os episódios são ocasionais, mas 17% os vivenciam de forma consistente.
O Espectro das Sensações: Do Riso ao Formigamento
As manifestações registradas pelos pesquisadores formam um leque amplo e curioso, desafiando a ideia de um orgasmo “padrão”. Entre as reações físicas mais citadas estão:
- Dor de cabeça
- Fraqueza muscular
- Dor ou formigamento nos pés
- Sensações de coceira ou formigamento no rosto
- Espirros, bocejos, dor no ouvido e, em casos raros, sangramento nasal
No campo emocional, destacaram-se o choro, uma sensação de tristeza ou vontade de chorar mesmo após uma experiência positiva, crises de riso e, de forma mais rara, relatos de alucinações. É importante notar que essas reações foram relatadas tanto durante relações com um parceiro quanto durante a masturbação ou uso de brinquedos sexuais.
Desmistificando e Normalizando: A Mensagem Central da Ciência
A principal conclusão do trabalho, reforçada por especialistas em saúde sexual, é uma mensagem de tranquilidade. “Essas respostas não estão associadas a falhas na saúde sexual e que ter ou não ter, não é um sinal de orgasmo melhor ou pior”, afirmou Lauren Streicher, pesquisadora da Universidade Northwestern, em análise ao estudo.
A pesquisa joga luz sobre a complexa neuroquímica do prazer. O orgasmo envolve uma liberação massiva de hormônios e neurotransmissores — como ocitocina, dopamina e endorfinas — que inundam o cérebro e o corpo. Essa “tempestade química” pode, em alguns organismos, desencadear circuitos neurais adjacentes, ativando respostas aparentemente desconexas, como os centros do riso ou do choro. A manifestação específica parece ser uma característica individual, tão única quanto uma impressão digital neurológica.
Ao documentar e validar essas experiências, o estudo cumpre um papel vital: reduzir a ansiedade e o isolamento de mulheres que, por não conhecerem a normalidade do fenômeno, poderiam se sentir constrangidas ou preocupadas com sua própria resposta sexual.
- É normal e saudável: Reações como riso, choro, dor de cabeça ou formigamento durante ou após o orgasmo não indicam doença ou disfunção. São variações naturais da resposta sexual.
- Fenômeno periorgásmico: Este é o nome científico dado a esse conjunto de reações físicas e emocionais inesperadas associadas ao clímax.
- Causa neuroquímica: As reações são provavelmente causadas pela intensa liberação de substâncias cerebrais (hormônios e neurotransmissores) durante o orgasmo, que podem ativar circuitos neurais diversos.
- Busque informação, não apenas tratamento: Se você vivencia essas sensações, saiba que não está sozinha. Antes de buscar tratamentos médicos, busque informações de qualidade para entender a normalidade do fenômeno.
- Quando procurar ajuda: Apenas considere ajuda profissional se a reação for sistematicamente desagradável, causar sofrimento significativo ou se houver suspeita de que esteja relacionada a uma condição médica pré-existente (como enxaqueca). Caso contrário, pode ser simplesmente a sua forma única de sentir prazer.




