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Sedentarismo: um problema de saúde pública que pode causar cerca de 300 mil mortes por ano no Brasil

O sedentarismo é reconhecido mundialmente como um dos principais fatores de risco modificáveis para doenças crônicas e morte prematura. No Brasil, estimativas baseadas em estudos epidemiológicos nacionais e internacionais indicam que a inatividade física contribui direta ou indiretamente para cerca de 300 mil mortes por ano, tornando-se um dos maiores desafios atuais da saúde pública.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a inatividade física está entre os quatro principais fatores de risco globais para mortalidade, ao lado do tabagismo, da alimentação inadequada e do consumo nocivo de álcool. A OMS classifica o sedentarismo como um problema epidêmico global, responsável por milhões de mortes evitáveis todos os anos.

Evidências científicas e impacto no Brasil

Um dos estudos mais citados sobre o tema, publicado na revista The Lancet, estimou que a inatividade física é responsável por aproximadamente 6% a 9% das mortes globais. Quando esses percentuais são aplicados a países com altas taxas de sedentarismo — como o Brasil —, os números absolutos tornam-se alarmantes.

Pesquisas conduzidas por instituições brasileiras, incluindo análises baseadas em dados do Ministério da Saúde, especialmente por meio do sistema Vigitel, mostram que mais de 45% da população adulta brasileira não atinge o nível mínimo recomendado de atividade física. Em grandes centros urbanos, esse índice pode ser ainda maior.

A inatividade física está fortemente associada ao aumento da incidência de:

  • Doenças cardiovasculares (infarto e AVC)
  • Hipertensão arterial
  • Diabetes mellitus tipo 2
  • Obesidade
  • Dislipidemias
  • Alguns tipos de câncer (especialmente mama e cólon)
  • Transtornos mentais, como depressão e ansiedade

Essas doenças, somadas, respondem por grande parte das mortes anuais no país, o que explica o elevado impacto do sedentarismo nos indicadores de mortalidade.

Sedentarismo e custo social

Além do impacto humano, o sedentarismo gera custos bilionários ao sistema de saúde. Estudos apontam que a inatividade física aumenta significativamente os gastos com internações, uso de medicamentos de longo prazo e afastamentos do trabalho por incapacidade temporária ou permanente.

No Brasil, doenças crônicas não transmissíveis — fortemente associadas ao sedentarismo — são responsáveis por mais de 70% das mortes registradas anualmente, segundo dados oficiais. A prática regular de atividade física é considerada uma das intervenções mais custo-efetivas para reduzir esse cenário.

Quanto de atividade física é necessário?

De acordo com o Colégio Americano de Medicina do Esporte e as diretrizes da OMS, adultos devem realizar pelo menos:

  • 150 a 300 minutos semanais de atividade física moderada, ou
  • 75 a 150 minutos de atividade física intensa

Esses níveis já são suficientes para reduzir de forma significativa o risco de morte precoce, melhorar a saúde cardiovascular, o controle glicêmico, o perfil lipídico e fortalecer o sistema imunológico.

Conclusão

O sedentarismo não é apenas um hábito prejudicial — é um fator de risco silencioso e altamente letal. As evidências científicas mostram que centenas de milhares de mortes no Brasil poderiam ser evitadas todos os anos com mudanças simples no estilo de vida, como caminhar regularmente, praticar exercícios físicos ou reduzir o tempo prolongado sentado.

Promover a atividade física deve ser tratado como prioridade estratégica de saúde pública, envolvendo políticas urbanas, educação, ambientes de trabalho mais ativos e acesso facilitado ao esporte e ao lazer.

👉 Movimentar-se é uma escolha individual, mas seus efeitos salvam vidas coletivamente.


Referências científicas e institucionais

  • Organização Mundial da Saúde (OMS) – Physical Activity Guidelines
  • The Lancet – Global burden of disease attributable to physical inactivity
  • Ministério da Saúde (Brasil) – Sistema Vigitel
  • Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM)

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